O dramaturgo francês Laurent Baffie assina TOC TOC, comédia que estreia em Salvador nesta sexta-feira. A montagem brasileira, adaptada e dirigida por Alexandre Reinecke, permanece em cartaz no Teatro Jorge Amado até domingo, 18, e figura entre os escolhidos para a 26ª edição do Catálogo Brasileiro de Teatro.
Em cena, seis personagens diagnosticados com Transtorno Obsessivo Compulsivo acabam se reunindo no consultório de um médico, todos à espera do atendimento. Diante da ausência do profissional, resolvem montar eles mesmos um grupo terapêutico e, no meio de atritos e episódios de crise, expõem os recursos que desenvolveram para lidar com o transtorno.
O espetáculo mistura humor e sensibilidade para discutir um problema típico dos dias atuais. “O público vai ver grandes atores em uma comédia extremamente divertida que faz refletir sobre nossos tempos”, afirma o diretor.
Reinecke lembra que as origens do TOC são variadas: “Traumas, tiques nervosos, ansiedade, etc. E existem vários tipos de tratamento, mas o principal é terapia e acompanhamento psiquiátrico. O TOC mais preocupante e difícil de tratar é a Síndrome de Tourette”, completa, referindo-se ao transtorno neuropsiquiátrico marcado por tiques motores e vocais.
O elenco reúne Iara Jamra, Daniel Dantas, Ricardo Tozzi, Andréa Mattar, Miguel Menezzes, Sara Freitas e Jade Mascarenhas. Os três primeiros são nomes conhecidos das novelas da TV Globo.
O elenco distribui entre si diferentes manifestações de obsessão. Andrea Mattar vive Branca, que não suporta sujeira; Iara Jamra dá vida a Maria, beata que confere repetidas vezes se portas, luz e gás ficaram fechados; Sara Freitas interpreta Lili, presa a gestos que se repetem sem trégua; Miguel Menezze encarna Bob, obcecado por simetria; Ricardo Tozzi é Vicente, motorista de táxi incapaz de interromper a contagem; Daniel Dantas faz Fred, portador de um quadro que o leva a proferir palavrões; e Jade Mascarenhas fecha o time no papel de assistente do médico.
Para Tozzi, Vicente não admite o problema, mas busca ajuda para salvar o casamento. “Ele não reconhece que tem um problema, mas para manter o casamento, se dispõe a fazer uma consulta com Dr. Stern”, conta. No desenrolar da trama, ele conhece outros pacientes e percebe que seu comportamento pode ser controlado sem afetar quem está por perto.
Iara Jamra descreve Maria como uma mulher solitária e cheia de rituais. “Antes de sair de casa, ela verifica inúmeras vezes se fechou as portas, a luz, gás e tudo. Toda vez que escuta um palavrão, faz o sinal da cruz. É uma beata, mas tem também seu lado safadinho”. A atriz, que diz não ter o transtorno de forma diagnosticada, mas algumas manias leves, defende mais acolhimento. “Acredito que pessoas com TOC, que se cuidam ou não, devem ficar muito incomodadas, perdidas e ofendidas quando são impedidas de lidar com isso. Espero que nossa sociedade amplie programas e projetos para ajudar essas pessoas a serem incluídas e respeitadas”, finaliza.
Os ingressos para as apresentações podem ser adquiridos na bilheteria do teatro. A peça é uma das mais encenadas no mundo e chega a Salvador após temporadas de sucesso no eixo Rio-São Paulo.
Imagem meramente ilustrativa. Crédito da ilustrativa: teatrouol.com.br


