Quinta-feira, 29 de outubro de 2026 · Salvador, BA

Quimioterapia para câncer de mama exige monitoramento da função renal, alerta nefrologista

Durante a quimioterapia para câncer de mama, monitorar a função renal é essencial para a segurança do tratamento. Exames periódicos e boa hidratação ajudam a prevenir lesões precocemente, garantindo um cuidado mais eficaz e personalizado.

Quimioterapia para câncer de mama exige monitoramento da função renal, alerta nefrologista

Pacientes em tratamento quimioterápico contra o câncer de mama devem incluir os rins entre os órgãos acompanhados ao longo do processo. O alerta é da médica nefrologista Manuela Lordelo, que lembra que parte dos remédios usados contra o tumor é excretada pelos rins, total ou parcialmente, e pode comprometer a função renal conforme o fármaco, o quadro clínico e o nível de hidratação de cada mulher.

O alerta vem de um levantamento exibido no congresso da American Society of Clinical Oncology (ASCO). Foram acompanhadas 1.611 mulheres em tratamento quimioterápico contra câncer de mama, e a equipe verificou lesão renal aguda em 7,8% do grupo após o começo da terapia. O trabalho ainda mostrou que, entre as participantes que já apresentavam algum comprometimento da função dos rins antes de iniciar a quimioterapia, a chance de sofrer alterações renais posteriormente foi maior.

“O rim participa diretamente do processamento e da eliminação de diversos medicamentos. Por isso, acompanhar sua função durante o tratamento do câncer é uma medida de segurança e não deve ser deixado em segundo plano”, afirma Manuela Lordelo.

Sobre o dado do estudo, a nefrologista destaca a importância de se conhecer a condição dos rins antes e durante a terapia. Segundo ela, um problema renal anterior pode levar à mudança na forma de administrar certos remédios e pede vigilância mais frequente. “Esse dado mostra por que é importante conhecer a função dos rins antes e durante o tratamento. A presença de uma alteração renal prévia pode mudar a forma como alguns medicamentos são administrados e exige um acompanhamento mais próximo”, diz.

As ações de prevenção incluem beber líquidos conforme a orientação da equipe médica e fazer com regularidade exames que avaliam o funcionamento dos rins, sobretudo a dosagem de creatinina e a taxa de filtração glomerular estimada (TFGe). Cada paciente, porém, tem uma necessidade própria de hidratação, que deve ser determinada individualmente. Há terapias com maior capacidade de lesionar os rins, e certos remédios exigem precauções específicas. Protocolos sobre lesão renal causada por drogas antineoplásicas, por exemplo, recomendam hidratação adequada nos tratamentos com cisplatina, substância capaz de comprometer a função renal.

Na visão da nefrologista, esse monitoramento precisa seguir lado a lado com a terapia oncológica. “A paciente não precisa esperar sentir alguma coisa para investigar. Muitas alterações da função renal podem aparecer primeiro nos exames, antes de surgirem sintomas. Identificar uma mudança precocemente permite que a equipe avalie hidratação, medicamentos e outras possíveis causas, reduzindo o risco de uma complicação mais grave”, afirma Manuela Lordelo. O cuidado sob medida tem peso ainda maior para mulheres que já tinham problema renal, estão em faixa etária mais elevada ou fazem uso simultâneo de outros fármacos com potencial de atingir os rins.

Foto: Magnific / Dra. Manuela Lordelo (arquivo pessoal)*

LEIA MAIS: