Sexta-feira, 6 de novembro de 2026 · Salvador, BA

Torção testicular: dor súbita em meninos pode custar o órgão e afetar fertilidade

quanto mais rápido o atendimento, maior a chance de salvar o órgão e preservar a fertilidade.

torção testicular

Uma dor forte e repentina nos testículos, especialmente em adolescentes, pode indicar torção testicular — emergência urológica que interrompe a circulação do sangue no órgão e, se não for tratada a tempo, leva à perda do testículo. A estimativa é de um caso a cada quatro mil homens. O alerta é do Hospital Pequeno Príncipe, de Curitiba, que chama atenção para os sinais durante o Novembrinho Azul, movimento criado pela Lei n.º 14.694/2023 para ampliar as campanhas de saúde masculina voltadas a meninos de até 15 anos.

O quadro surge com mais frequência dos 12 aos 18 anos, concentrando-se entre os 13 e os 14. Raramente, pode se manifestar no período neonatal. A torção ocorre no momento em que o testículo sofre uma rotação ao redor do cordão espermático — a estrutura que o conecta ao corpo e pela qual circulam os vasos sanguíneos. “É uma emergência urológica importante, porque, quando o testículo fica sem receber sangue, começa a sofrer. Com o passar do tempo, pode ficar necrótico, e a criança perder o órgão”, explica Karin Schultz, cirurgiã pediátrica urológica da instituição.

O tempo até a cirurgia é decisivo. Nas primeiras seis horas após o início do quadro, a chance de preservar o testículo chega a 98%. Se o intervalo se estende a 24 horas, a possibilidade cai para menos de 60%. Entre 24 e 48 horas, a preservação é praticamente nula. “É uma emergência vascular. Quanto mais tempo passar, maior será o período em que o sangue deixa de chegar adequadamente ao testículo e maior a chance de perdê-lo”, realça a médica.

Na maioria dos casos — cerca de 99% — a dor surge de repente, e o menino costuma saber o momento exato em que começou, mesmo em repouso ou durante atividades rotineiras. Outros sinais podem acompanhar: inchaço e vermelhidão na região, sensibilidade ao toque, mudança na posição do testículo, náuseas e vômitos.

O diagnóstico é clínico, feito por avaliação médica e exame físico. Em caso de dúvida, pode ser pedida uma ultrassonografia com doppler para verificar se há fluxo sanguíneo no testículo. O tratamento é cirúrgico e visa desfazer a torção e restabelecer a circulação, na tentativa de salvar o órgão. A interrupção prolongada do fluxo pode causar isquemia irreversível. Mesmo quando o testículo é preservado, segundo a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), podem ocorrer alterações no espermograma e dificuldades reprodutivas futuras, além de infecção local.

Diante de dor testicular aguda, a orientação é buscar atendimento de imediato, sem esperar o dia seguinte nem recorrer a automedicação. “A família não deve esperar até o dia seguinte nem tentar resolver o problema com automedicação. É preciso procurar atendimento o mais rápido possível, porque cada hora faz diferença na possibilidade de salvar o testículo”, reforça Karin Schultz.

Imagem meramente ilustrativa. Crédito da ilustrativa: Ultrassom em João Monlevade | Dr. Caio Góes

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