Sexta-feira, 30 de outubro de 2026 · Salvador, BA

Dívida de R$ 2,9 bilhões da família de Márcio Poncio entra no radar da PF

A família Poncio está no radar da PF após um levantamento apontar dívidas de R$ 2,9 bilhões com a União. O pastor Márcio Poncio é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro e ocultação de bens em uma nova fase da operação.

Márcio Poncio

Segundo levantamento do Fórum Nacional Contra a Pirataria e Ilegalidade (FNCP), o pastor Márcio Poncio e pessoas a ele vinculadas acumulam R$ 2,929 bilhões em débitos com a União. O cálculo, que abrange o segundo trimestre de 2025, leva em conta tributos federais em atraso, acrescidos de multas e juros.

Depois de o FNCP descartar as repetições, o total exato chega a R$ 2.929.182.175,11. Conforme o fórum, somar os débitos dos envolvidos de forma direta levaria a erro, já que uma parte das cobranças está atrelada a empresas e pessoas distintas por conta de responsabilidade solidária.

O documento também pormenoriza empresas e bens que pertencem à família. A partir do entrecruzamento de dados de quatro cidades — São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Aparecida de Goiânia —, o levantamento identificou 84 pessoas físicas e jurídicas, com 292 documentos a elas atrelados. Em imóveis, o grupo soma R$ 49,3 milhões, e 13 desses bens apresentam apontamento de indisponibilidade ou arrolamento por causa de dívidas tributárias.

Segundo o relatório, empresas vinculadas ao grupo adquiriram 16 propriedades entre 2018 e 2023, num total de R$ 44,2 milhões. A lista inclui um imóvel em Mangaratiba que custou R$ 9 milhões e um apartamento na Avenida Lúcio Costa, no Rio, cujo valor de compra foi R$ 22 milhões. O documento registra também a aquisição, por Sarah Poncio, em 2025, de uma sala comercial avaliada em R$ 723,8 mil na Avenida das Américas.

Nesta semana, a Polícia Federal voltou a mirar Márcio Poncio, desta vez na 9ª fase da Operação Unha e Carne, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e de ocultação de bens. Deflagrada em 29 de outubro, a operação cumpriu quatro mandados de busca e apreensão na Barra da Tijuca.

De acordo com a PF, os investigadores identificaram um patrimônio formado por aeronaves, veículos de luxo, imóveis de alto padrão e empresas em nome de parentes, colaboradores e terceiros. O pastor, que foi preso na quinta fase da operação e cumpre hoje prisão domiciliar, surge ainda no relatório do FNCP vinculado a negócios do comércio ilegal de cigarros e ao círculo de Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, apontado como bicheiro.

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