A partir de 13 de novembro, o Pelourinho, em Salvador, sedia no Museu Afro-Brasileiro da Universidade Federal da Bahia (MAFRO-UFBA) uma mostra voltada à arquitetura afro-brasileira. Batizada de “Arquitetura Afro-Brasileira: Herança, Expressão e Continuidade”, a exposição apresenta 52 obras ao público, que poderá visitá-las gratuitamente até março de 2027.
Segundo os organizadores, a exposição é a primeira no país a tratar especificamente do tema. A realização é do Cambará – Instituto de Fomento à Arquitetura Afro-Brasileira, e a curadoria é assinada por Gabriela de Matos, que integrou a equipe premiada com o Leão de Ouro na Bienal de Veneza de 2023, e Raphael Bento, que participa do comitê curatorial da 15ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo (2026/2027).
Fotografias, filmes, pinturas, esculturas, colagens e documentos históricos integram o conjunto exposto, assinado por artistas, arquitetos e instituições do Brasil e de outros países. O objetivo é evidenciar o papel das comunidades negras na edificação da arquitetura brasileira e a transformação que seguem promovendo nela, colocando em xeque a centralidade do modernismo nessa trajetória.
Feita sob medida para a mostra, a instalação “Arquitetura da Olaria Brasileira – Modelagens Afro e Indígena”, de J. Melo, figura entre as peças e ressalta as cerâmicas e o fazer de mãos negras e indígenas. Da região de Plataforma, em Salvador, vêm duas telas assinadas por Zé di Cabeça, que criou o Acervo da Laje. Seis imagens dos Alagados, comunidade marcada pelas palafitas, são a contribuição do Zumví Arquivo Afro Fotográfico. A presença de mulheres negras na arquitetura é tema de uma peça gráfica de João Carlos Ferreira, e a lista se completa com Gê Viana, maré de matos, Mika Esse e Simone Santos, com acervos do MAFRO e do Ilê Aiyê e com a arquiteta sul-africana Khensani Jurczok-de Klerk.
Levar a estreia a Salvador leva em conta o peso da capital baiana na trajetória negra do Brasil. Registros históricos e uma planta do Terreiro da Casa Branca integram a exposição; a proteção patrimonial obtida pelo terreiro nos anos 1980 é lembrada como divisor de águas para que referências negras fossem reconhecidas na preservação cultural do país.
Em nota, os curadores afirmam: “Mais do que apresentar uma coleção de obras, a exposição propõe uma revisão de perspectiva: a arquitetura afro-brasileira não começa apenas quando pessoas negras ingressam nas universidades ou passam a atuar formalmente na profissão. Ela também está nos quilombos, nos terreiros, nas formas coletivas de organização do território, nas técnicas tradicionais e nas soluções criadas para responder às necessidades de diferentes comunidades. São conhecimentos transmitidos, transformados e reinventados ao longo do tempo, que conectam heranças africanas, experiências da diáspora e a construção de expressões próprias em solo brasileiro. Nesse sentido, as artes visuais são a ponte para mostrarmos isso”.
A montagem se organiza em três eixos, batizados “Outras Formas de Compreender”, “Outras Formas de Subverter” e “Outras Formas de Fazer”. O Rearc Institute apoia a iniciativa, que conta com obras cedidas pelo Cultne.
As visitas podem ser feitas às segundas, terças, quartas, quintas e sextas, em dois turnos: pela manhã, das 9h às 12h30, e à tarde, das 13h30 às 17h. Sábados e domingos o espaço não abre. A entrada é liberada para todos os públicos, sem restrição de idade. O museu fica no Largo Terreiro de Jesus, Pelourinho, Salvador (BA).
Imagem meramente ilustrativa. Crédito da ilustrativa: Axe Italia


