Nesta sexta-feira (16), a atriz Fernanda Montenegro celebra 97 anos. Reconhecida como um dos maiores nomes da dramaturgia brasileira, ela soma 80 anos de carreira e uma vasta coleção de prêmios por trabalhos no cinema, na televisão e no teatro.
Nascida no Rio de Janeiro, Fernanda cresceu em Madureira, bairro da zona norte carioca, e não demorou a ingressar no mercado de trabalho: aos 15 anos, depois de vencer um concurso, já atuava como locutora na rádio MEC. Sua primeira aparição nos palcos aconteceu em 1950, contracenando com Fernando Montenegro, seu marido na época, na montagem de “Alegres Canções nas Montanhas”. Já na televisão, a estreia se deu em 1951: foi a primeira contratação de elenco da TV Tupi do Rio de Janeiro.
Entre os diversos personagens que marcaram sua carreira, destacam-se cinco atuações que lhe renderam prêmios importantes.
Na pele de Charlô, Fernanda Montenegro brilhou em “Guerra dos Sexos”, folhetim de Sílvio de Abreu com Carlos Lombardi, sob a direção de Jorge Fernando e Guel Arraes. No centro da história estava a briga pela herança entre os primos Charlô e Otávio, papel de Paulo Autran: os dois racharam os parentes e o próprio universo da trama em grupos definidos pelo gênero, tudo para ganhar uma aposta que valia a direção das lojas da família. Entre as passagens que o público mais recorda está a refeição em que ambos trocam arremessos de comida. O trabalho rendeu à atriz o Troféu Imprensa de Melhor Atriz e o Prêmio de Melhor Atriz em Televisão do Troféu APCA.
Fernanda interpreta uma professora que ajuda uma criança na busca pelo pai, após a genitora do garoto falecer em virtude de uma colisão rodoviária, no filme “Central do Brasil”, de Walter Salles. A performance garantiu à artista nomeações ao Globo de Ouro e ao Oscar de Melhor Atriz. Apesar de não ter sido premiada nessas ocasiões, a atriz foi agraciada com o troféu de Melhor Atriz no Festival de Berlim, no Festival de Havana, no National Board of Review Award e no Troféu APCA.
Silvio de Abreu assinou também “Belíssima”, novela levada ao ar pela TV Globo na faixa das 21h, na qual Fernanda Montenegro deu vida à vilã Bia Falcão: uma mulher de posses, lembrada sobretudo pela sequência em que escapa do país rumo a Paris após uma série de delitos. Pela atuação, a atriz ficou com o Prêmio Contigo! de TV de Melhor Atriz de Novela e com o Troféu APCA de Melhor Atriz em Televisão.
“A Dama do Estácio” retomou, em formato de curta, a história de “A Falecida”, obra que tinha sido a primeira incursão de Fernanda Montenegro no cinema. No novo filme, ela voltou ao papel da prostituta Zulmira, que desperta certa manhã perseguida pela certeza de que morrerá algum dia. A interpretação lhe valeu o prêmio de Melhor Atriz em festivais como o Festival de Brasília, o Festival de Cinema de Moscou, o Festin Lisboa, o FestCine São Gonçalo, o Curta Canoa – Festival Latino Americano de Cinema, o Festival Brasil de Cinema Internacional e o Brazilian Film Festival of Toronto, além de outros.
A produção “Doce Mãe”, idealizada como um especial natalino para a grade da TV Globo, expandiu seu formato original. O projeto, sob a direção de Jorge Furtado e Ana Luiza Azevedo com produção da Casa de Cinema de Porto Alegre, rendeu a Fernanda Montenegro o Emmy Internacional de Melhor Atriz. Na trama, ela interpreta Dona Picucha, uma senhora de Porto Alegre cujas trajetórias são narradas na obra. A narrativa foi expandida para uma série, projeto que rendeu à atriz sua segunda nomeação ao Emmy Internacional ao repetir o papel da personagem.
Imagem meramente ilustrativa. Crédito da ilustrativa: UOL


