Em um vídeo gravado por ela mesma, a DJ e artista plástica Gabriela Hebling, que já passou pelo Big Brother Brasil, contou que sofreu racismo enquanto fazia um pedido numa lanchonete que frequenta habitualmente. As imagens mostram o instante em que ela vai tirar satisfações de uma mulher que falou sobre o seu cabelo; depois disso, segundo o relato, procurou uma delegacia para registrar a denúncia.
O episódio veio a público por meio de vídeos compartilhados por Gabriela nas redes sociais. Nas imagens, ela aparece questionando a mulher após ouvir a pergunta sobre quando iria pentear os fios. “Acabei de ouvir que horário que eu vou pentear o meu cabelo dessa senhora”, disse a ex-BBB, filmando a responsável pela fala. Em seguida, repreendeu: “Eu só preciso te falar uma coisa: nunca mais fale isso para ninguém. Porque isso que você acabou de comentar é muito…”. A mulher tentou se justificar: “Não, mas eu elogiei você…”.
Gabriela rebateu a alegação de elogio. “Não, você não elogiou. Você falou: ‘Que horas você vai pentear esse cabelo?’. Isso não é um elogio!”. A mulher, então, respondeu: “Gosto de cabelo assim, mas bem menos”. O vídeo foi gravado dentro do estabelecimento e circulou amplamente entre os seguidores da artista.
Já no carro, a ex-BBB gravou um desabafo no qual narrou a sequência dos fatos. Contou que cumprimentou a mulher com um “bom dia” e ouviu a pergunta sobre o cabelo logo depois. “Acabei de sofrer racismo agora. Mais um, né? E no lugar que eu frequento. Eu saí simplesmente só para comprar uma marmita que eu gosto muito, em um dia comum. Aí tinha uma senhora que estava me olhando, e eu, com toda a educação que foi me dada, olhei para ela e falei: ‘Bom dia’. E ela simplesmente virou e falou: ‘Que horas você vai pentear esse cabelo?’”, relatou.
No relato, Gabriela também pontuou que a agressão vai além da frase proferida: traz consigo uma trajetória de preconceito contra características físicas de pessoas negras. “Não é só uma frase. É sobre o que essa frase carrega. É ter a nossa aparência, o nosso cabelo e, consequentemente, a nossa identidade colocada sob julgamento. A vida inteira essa violência, que parece pequena para quem pratica, mas que soma com tantas outras experiências que deixam tantas marcas, que nem sempre são visíveis, mas elas estão aqui e aparecem quando isso acontece”, afirmou.
Conforme o depoimento, uma mulher que trabalhava no caixa lhe deu água e contou que o marido dela era negro. Na avaliação da artista, esse gesto de apoio acabou por acentuar o isolamento que ela experimentou. “Falou: ‘Eu sou casada com um homem negro’. Talvez tenha sido uma tentativa dela de demonstrar que não concordava com aquela atitude. Mas a gente precisa entender que ter uma pessoa negra na família, no relacionamento, no círculo de convivência não impede ninguém de reproduzir o racismo. Eu até falei para ela: ‘Não foi você que fez isso’. E eu saí, [e ela:] ‘Não chora, não chora, ela é assim’. E é o momento em que a gente se sente muito sozinha”, recordou.
Após a divulgação do episódio, Gabriela recebeu diversas manifestações de apoio. Em um novo vídeo nos Stories do Instagram, ela afirmou ter ido à polícia e garantiu que o caso terá desdobramentos. “Estou bem, na medida do possível. Registrei o BO. Entendi que deixar para lá seria só mais uma forma de violência contra mim mesma, e não vou me omitir diante dos meus direitos. Obrigada por não me deixarem só. Seguimos!”, escreveu. Sobre o andamento do registro policial, nenhuma informação havia sido divulgada até o momento.


