Nesta quarta-feira (21), as ações da Netflix caíram perto de 5%. O motivo: as estimativas divulgadas pela companhia para lucro e publicidade reforçaram a desconfiança dos investidores sobre o ritmo mais fraco de avanço tanto da base de espectadores quanto do faturamento, num segmento de streaming em que a concorrência só aumenta. Desde o início do ano, os papéis acumulam baixa superior a 26%, e, se o patamar for mantido, a gigante do streaming pode perder aproximadamente US$ 13,4 bilhões em valor de mercado.
Esse resultado vem na esteira de uma série de tropeços da Netflix: no começo do ano, ela foi derrotada na tentativa de adquirir a Warner Bros Discovery; precisou sair em defesa do seu sistema de cobrança por assinatura frente a concorrentes digitais que não cobram nada; e ainda enfrenta a disputa num mercado já estabilizado. A isso se soma o comportamento do público, que tem se voltado para plataformas sem custo e de conteúdo produzido por usuários, casos de YouTube e TikTok, além de preferir vídeos de curta duração a obras de produção mais elaborada.
Desde 2025 a companhia não informa mais quantos assinantes tem. No terceiro trimestre, sua receita subiu 11,8%, alcançando US$ 12,87 bilhões, número alinhado ao que Wall Street esperava, porém o avanço mais modesto dos últimos quase três anos. Já a projeção de faturamento com publicidade para 2026 foi cortada pela Netflix para cerca de US$ 2,7 bilhões, abaixo dos cerca de US$ 3 bilhões que haviam sido estimados antes.
“O crescimento claramente desacelerou na Netflix”, afirmaram analistas da Evercore ISI em uma nota. A Evercore atribuiu essa desaceleração à maturidade do mercado; à concorrência constante de plataformas como YouTube, Amazon e Disney; aos desafios potenciais de conteúdos de formato curto, como TikTok e YouTube; e à má execução do conteúdo.
Em teleconferência após a divulgação dos resultados, o co-CEO Ted Sarandos reconheceu que a empresa “poderia ter se saído melhor”. Mais de 20 corretoras reduziram seus preços-alvo para as ações da Netflix após a divulgação dos resultados, de acordo com dados da LSEG.
Sarandos disse na terça-feira que a empresa planeja se concentrar em seu negócio principal, que é a produção de séries de TV e filmes de qualidade, para tornar a Netflix um serviço indispensável, e que a recente reorganização executiva foi um passo nessa direção. A empresa substituiu recentemente a diretora criativa Bela Bajaria e anunciou que o chefe da divisão de cinema, Dan Lin, está deixando a empresa, além de ter cortado 6% de sua força de trabalho.


