O secretário do Smithsonian, Lonnie G. Bunch III, confirmou nesta terça-feira que deixará a liderança da instituição ainda este ano. A decisão ocorre após um período de intensas pressões da Casa Branca, que culminou na publicação de um relatório detalhado sobre a gestão e as diretrizes museológicas do complexo, reconhecido como um dos mais importantes do mundo.
Bunch III, que marcou história ao se tornar o primeiro historiador negro a comandar o instituto, ocupou o cargo por sete anos. Ao formalizar sua saída, o executivo declarou possuir “sentimentos contraditórios e profunda gratidão”. A gestão de Bunch esteve sob escrutínio durante a administração do presidente Donald Trump, que solicitou uma análise rigorosa sobre as exposições e a linha curatorial das instituições vinculadas ao Smithsonian, como o Museu Nacional de História Americana.
O relatório, composto por 162 páginas e divulgado em julho, apresentou críticas à ausência de figuras centrais da fundação dos Estados Unidos, como George Washington e Thomas Jefferson, nas exposições do Museu Nacional de História Americana. O documento também questionou debates internos da gestão sobre conceitos como “cultura branca” e a abordagem de temas sensíveis, incluindo transexualidade e sadomasoquismo, em exibições com conteúdo gráfico.
Este movimento integra uma série de ações da atual gestão americana em instituições culturais. Em maio de 2025, o governo já havia anunciado a demissão de Kim Sajet da diretoria da Galeria Nacional de Retratos, sob a justificativa de que a gestão era “extremamente partidária”. Além das mudanças no Smithsonian, o governo mantém uma disputa judicial envolvendo a presença do nome de Trump no Kennedy Center, consolidando um cenário de tensões em centros culturais de Washington D.C.
