O PT decidiu incluir em sua resolução política a defesa da implementação de mandatos para ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). A medida, que já era debatida internamente, recebeu o endosso da cúpula do partido nesta quinta-feira (10). O posicionamento surge em um momento de instabilidade no Supremo, que tem gerado pressão sobre a campanha de reeleição do presidente Lula.
Além da limitação do tempo de permanência no cargo, o partido planeja propor uma reformulação nos órgãos de controle do Judiciário e do Ministério Público. Segundo Edinho Silva, presidente da sigla, a intenção é ampliar a presença da sociedade civil no CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) e no CNJ (Conselho Nacional de Justiça). “Estamos falando de ampliação do CNMP, ampliação do CNJ, para que a sociedade civil tenha mais assentos nos órgãos que fiscalizam. E também a questão de mandatos para as cortes”, afirmou.
Apesar da oficialização da pauta, o PT ainda não definiu detalhes técnicos, como a duração dos mandatos. “É abrir o debate de mandatos, nós não detalhamos”, pontuou Edinho. O movimento ocorre logo após o ministro André Mendonça retirar o sigilo de investigações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, que inclui suspeitas sobre contratos advocatícios e trocas de mensagens.
Integrantes do partido discutiram, durante a reunião desta quinta-feira, estratégias para retomar o protagonismo na disputa eleitoral, avaliando que a campanha precisava sair de uma postura defensiva. A defesa da reforma do Judiciário é tratada pela legenda como uma bandeira histórica. “Temos que ser mais enfáticos na questão da reforma do Poder Judiciário, que é uma bandeira antiga do PT. Temos legitimidade para falar disso, não estamos falando agora porque a Suprema Corte está em crise”, declarou um membro da sigla.
Internamente, há também um movimento que defende a radicalização da disputa política frente ao bolsonarismo. A cúpula petista avalia a necessidade de responder com maior agilidade aos ataques de adversários, buscando uma atuação mais incisiva no cenário político nacional para reverter o desgaste atual.

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