Sexta-feira, 16 de outubro de 2026 · Salvador, BA

Rato assado em bolo: cliente consumiu produto por três dias antes de notar contaminação, aponta polícia

Um cliente encontrou um rato assado dentro de um bolo comprado em uma unidade da Casa de Bolos em Porto Alegre. A Vigilância Sanitária constatou condições precárias de higiene no local, que segue sob investigação da Polícia Civil.

Rato assado em bolo: cliente consumiu produto por três dias antes de notar contaminação, aponta polícia

Um morador da Zona Sul de Porto Alegre comprou um bolo na unidade Cavalhada da rede Casa de Bolos. Ele levou aproximadamente três dias para consumir o produto, quando então percebeu que havia um rato mo$@#& no interior do alimento. A Polícia Civil confirmou a informação e apura o caso. Conforme as investigações, o cliente não teve nenhum sintoma, mesmo após ingerir o produto ao longo desse período.

Sem apresentar sinais de mal-estar, ainda assim o consumidor procurou um infectologista, passou a tomar medicação profilática e deverá seguir observando, ao longo de 30 dias, o surgimento de qualquer reação. Tal orientação partiu da delegada Milena Cimiolli, da Delegacia do Consumidor, responsável pelo inquérito.

A dona do estabelecimento, Amanda Borges Lopes Schenk, de 41 anos, foi detida em flagrante na quarta-feira (14). No dia seguinte (15), depois de passar por audiência de custódia, deixou a prisão. Em nota, a defesa dela afirmou que “os fatos relacionados à ocorrência estão sendo tratados com a máxima seriedade”.

De acordo com as apurações, o roedor foi assado junto à massa do bolo. Os investigadores afastam a possibilidade de ação intencional. A linha seguida pela polícia aponta que o animal já estava dentro do forno e, ao tentar escapar, caiu na massa, acabando assado com o alimento. Para a equipe, seria “quase impossível” que o rato tivesse adentrado o bolo após a saída do produto da loja.

A própria vítima levou o caso à Delegacia do Consumidor, aproximadamente três dias depois de ingerir o bolo. A partir disso, a polícia solicitou à Vigilância Sanitária uma inspeção no comércio onde o produto havia sido comprado.

A inspeção dos agentes constatou que o estabelecimento tinha condições de higiene muito precárias. Entre as irregularidades encontradas estavam fezes de roedores em potes de comida e também nas proximidades do setor onde os bolos são fabricados.

Uma segunda unidade da mesma rede, situada no Centro da capital gaúcha, também recebeu visita da Vigilância Sanitária. A inspeção ocorreu em razão de outras denúncias contra o estabelecimento e, segundo a delegada, revelou situação semelhante de falta de higiene.

Ela é acusada de crime contra as relações de consumo, por vender produto impróprio para alimentação. Para permanecer em liberdade enquanto responde ao processo, uma das exigências da Justiça é que o local se adeque às normas sanitárias. Cumprida essa condição, a Vigilância Sanitária retornará ao estabelecimento para nova vistoria, que definirá se a loja pode ou não reabrir.

Segundo os advogados de Amanda, há mais de 11 anos ela mantém contrato com uma firma de dedetização e controle de pragas, sem que qualquer problema tenha sido registrado antes. A documentação comprobatória e os registros desses serviços estariam liberados às autoridades. A defesa acrescenta que a loja conta com profissionais responsáveis pela gestão operacional, pela limpeza e por manter as condições de higiene.

Conforme os advogados, uma auditoria interna analisa neste momento todas as circunstâncias do episódio, bem como os controles existentes e os procedimentos adotados. Entre as hipóteses apuradas está a de sabotagem praticada por algum funcionário insatisfeito, possibilidade que será investigada com critério, sem julgamentos antecipados.

A defesa afirmou que a prioridade é assegurar a qualidade dos produtos vendidos, a segurança dos alimentos, a higiene e a confiança dos clientes. De acordo com os advogados, serão adotadas todas as medidas cabíveis para esclarecer os fatos e corrigir eventuais falhas, preservando os padrões de qualidade e segurança que devem orientar a atividade. O compromisso com a transparência, a responsabilidade e a colaboração com a apuração foi reafirmado, com a ressalva de que qualquer conclusão precisa se basear em elementos objetivos e verificados.

O caso segue sob investigação da Delegacia do Consumidor.

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