Segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), do IBGE, o rebanho bovino brasileiro fechou 2025 com 234,3 milhões de cabeças. Isso equivale a uma redução de 1,7% na comparação com o contingente apurado no último dia de 2024. Apesar do recuo, bois e vacas seguem em número maior que o de gente no país: há 9,8% mais animais do que habitantes — conforme projeção do instituto, o Brasil tinha 213,4 milhões de pessoas em 1º de julho do ano passado.
De acordo com o pesquisador Octavio Costa de Oliveira, do IBGE, o resultado reflete um ciclo de abate intenso, que vem incluindo fêmeas desde 2024. “Estamos num ciclo de pecuária em que está tendo um abate forte, inclusive de fêmeas. Isso tem sido observado desde 2024. Resultou na menor capacidade reprodutiva e, como reflexo direto, na redução do rebanho em 2025”, afirmou durante a apresentação dos dados.
O rebanho brasileiro diminuiu pelo segundo ano seguido, e agora o recuo foi mais forte: ante o ápice de 2023, quando o país tinha 238,6 milhões de bovinos, a perda de 2024 ficara em 0,2%. A PPM registra dados desde 1974. Já no ano passado, o abate de bovinos inspecionado pelos serviços sanitários alcançou o maior número já visto, na casa dos 43 milhões de cabeças. Conforme o pesquisador, esse salto ocorreu num ambiente favorável à atividade, tanto pelo lado do mercado quanto pelo do clima.
As exportações de carne bovina in natura também alcançaram recorde em 2025. Além de maior exportador, o Brasil se tornou o principal produtor mundial no período, superando os Estados Unidos pela primeira vez.
Na lista dos estados, Mato Grosso manteve a dianteira, com 31,6 milhões de cabeças — 13,5% do total nacional. Depois vêm Pará (25,6 milhões) e Goiás (22,5 milhões). No ranking por município, São Félix do Xingu (PA), a cerca de 1.050 km de Belém, continua à frente, com 2,7 milhões de animais, ou 1,2% do rebanho do país. Ao confrontar os dados da PPM com as projeções populacionais mais atuais do IBGE, verifica-se que os bovinos estão em número maior que o de habitantes sem qualquer interrupção desde 2002.
Se os bovinos encolheram, as outras categorias de animais de produção bateram novos recordes. Os galináceos — grupo formado por frangos de corte, galinhas poedeiras, galos, pintos e pintainhas — subiram 1,6%, alcançando 1,6 bilhão de aves, o maior número da série histórica. Também chegaram ao patamar mais alto já registrado os caprinos (13,5 milhões) e os ovinos (22,3 milhões).
Os ovos de galinha tiveram produção de 5,7 bilhões de dúzias em 2025, alta de 5,7% e novo recorde. Segundo o IBGE, essa curva ascendente vem desde 1999. Octavio Costa de Oliveira pondera que o ovo, por ser fonte de proteína de preço mais baixo, pode substituir a carne bovina nos períodos de inflação elevada. O técnico relaciona ainda o maior volume ofertado à busca por alimentação saudável e às demandas da indústria de alimentos. Numa repartição hipotética da produção pelo número de habitantes, cada brasileiro ficaria com aproximadamente 323 ovos.
São Paulo responde pela maior parte da atividade, com 1,3 bilhão de dúzias (22,5% do total), seguido por Minas Gerais (553,2 milhões) e Paraná (535,7 milhões). No ranking municipal, Santa Maria de Jetibá, na serra do Espírito Santo, a 85 km de Vitória, continua na ponta, com 352,5 milhões de dúzias (6,1% do total), à frente de Bastos (SP), que registrou 280,1 milhões. Uma reportagem da Folha de janeiro de 2024 mostrou que esse município capixaba se sobressai por combinar investimentos em tecnologia, a proximidade de grandes centros consumidores com pouca tradição avícola — caso do Rio de Janeiro — e condições de clima e relevo que contribuem.
Recorde também para o leite de vaca, que somou 36,7 bilhões de litros, crescimento de 2,7% na comparação com 2024. Chegou-se a esse número com um plantel ordenhado menor — 14,7 milhões de cabeças, o menor desde 1978 (14,2 milhões). A produtividade, assim, cresceu 5,6% e ficou em quase 2.499 litros por animal no ano. Na avaliação do IBGE, o fenômeno decorre de aportes em tecnologia e em melhoramento genético feitos por quem seguiu na atividade, ao passo que o encolhimento do rebanho estaria associado ao abandono da pecuária por criadores pouco especializados ou com menos recursos financeiros.
Minas Gerais liderou a produção de leite, com 10,1 bilhões de litros (27,5% do total), vindo depois Paraná (4,8 bilhões) e Rio Grande do Sul (4,2 bilhões). No recorte municipal, Castro (PR), a aproximadamente 160 km de Curitiba, alcançou 532,8 milhões de litros (1,5% do total).
A produção de mel também alcançou recorde, chegando a 71,3 mil toneladas, alta de 4,5% em 2025. Para a PPM, o resultado se explica por um clima que ajudou, assegurando às abelhas o alimento de que precisam, e pela demanda crescente, no Brasil e no exterior, por itens naturais e saudáveis.


