Na tarde deste domingo (27), em Salvador, a Polícia Militar da Bahia (PM-BA) deteve um apoiador de Renan Santos, presidenciável do partido Missão, no decorrer de um tumulto que tomou conta do ato de campanha realizado diante da Reitoria da Universidade Federal da Bahia (UFBA). O caso levou o candidato a fazer ataques duros à corporação e ao governador Jerônimo Rodrigues (PT).
Ao discursar para a militância, o presidenciável disse que a PM baiana estaria sob o comando do “bandido do Jerônimo” e ainda responsabilizou a tropa por montar “guarda de bolsonarista” no lugar. Na sequência, pediu palmas ao apoiador preso, a quem chamou de Pedrinho. “E uma salva de palmas para o Pedrinho, que foi detido por esses caras, por essa PM aí que estava a fazer guarda de bolsonarista. Negócio absurdo!”, disse.
Na versão apresentada pelo candidato sobre o que ocorreu no confronto, os integrantes de seu grupo apenas reagiram a ofensas. Ele contou que o suposto provocador dos presentes no ato terminou expulso pelos militantes da campanha. “Botámos o vagabundo para correr mesmo! Bolsonarista tem que tomar no c* dele!”, declarou.
A reportagem do BNews ouviu testemunhas, e as versões a respeito do início da confusão divergem. Lucas Santana contou que o lugar concentrava pessoas de espectros políticos variados e que integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL) foram os responsáveis pela provocação. Segundo o seu depoimento, foi após essas provocações que a briga começou, e, no meio dela, um policial acabou agredido também. De acordo com o relato dele, os integrantes do MBL não paravam de atacar verbalmente; quando virou o rosto, deparou-se com a confusão generalizada, e o que testemunhou foi os membros do MBL partindo para cima dos bolsonaristas. A PM, que se encontrava no outro lado da pista, fez a travessia e interveio para encerrar o confronto. Ele ainda contou que viu um policial ser agredido pelo rapaz de roxo, conforme declarou ao BNews.
Já Giovani Bispo apresentou outra versão. Ele afirmou que um homem vestido de preto teria avançado contra um candidato ligado ao grupo bolsonarista e iniciado as agressões. Segundo o seu depoimento ao BNews, o indivíduo de preto partiu de forma violenta na direção do outro e trocou socos sem hesitar, chegando a derrubar várias pessoas. Ele acrescentou que, sendo comunista, esteve na passeata bolsonarista e foi tratado com civilidade pelos participantes, mas que no evento do Missão um bolsonarista foi agredido.
Ainda na mesma fala, Renan Santos citou outras situações vividas por sua campanha nas quais, conforme o seu relato, houve confrontos ou tentativas de tumulto. Em Capão da Canoa (RS), de acordo com o candidato, um apoiador de Flávio Bolsonaro atacou um homem que levava uma criança no colo. Já em Caxias do Sul (RS), relatou que cerca de 30 pessoas ligadas à esquerda teriam articulado uma investida contra os participantes. Renan mencionou ainda Campinas (SP), onde, conforme a sua versão, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) local teria divulgado um ato contrário à sua campanha.
