Existe uma ferramenta gratuita na internet que responde a uma curiosidade antiga: em quem os vizinhos de rua votaram. Basta informar um endereço qualquer do Brasil para que o sistema localize a seção eleitoral correspondente e mostre os nomes mais votados ali, além de indicar como a preferência do bairro se alterou entre pleitos.
Batizada de Como meus vizinhos votam?, a ferramenta combina os registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com a base geográfica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O usuário digita o nome da sua cidade, indica uma rua e passa a acompanhar como os candidatos foram votados na seção mais próxima.
Os dados cobrem as corridas à Presidência e à Câmara dos Deputados nos pleitos de 2018, 2022 e 2026. A consulta permite, além de ver o resultado do próprio bairro, cotejar os números com os totais da cidade, da unidade da federação e do Brasil.
A operação é direta: o usuário escolhe estado e cidade e informa o nome da rua. Há ainda a opção de localizar uma escola ou qualquer outro ponto de votação pelo nome. Quando existem muitas seções nas redondezas, a plataforma solicita o bairro e o número da casa para refinar o resultado.
Depois da consulta, a plataforma mostra ao eleitor o nome e o endereço da seção em que ele deposita o voto, um mapa apontando onde esse local fica e o histórico de votação da urna, com números, proporções e paralelos entre eleições. Morador de São Paulo, por exemplo, pode conferir o desempenho de Lula e Jair Bolsonaro naquele ponto no pleito de 2022. Já com os números do primeiro turno de 2026, dá para ver quanto Lula e Flávio Bolsonaro receberam ali.
O projeto ganhou uma atualização depois do primeiro turno de 2026, disputado no domingo (4). Essa versão mais recente, tornada pública no repositório aberto da iniciativa, abrange 91.846 regiões eleitorais distribuídas por 5.569 municípios. O tratamento das atas de urna publicadas pelo TSE gerou os dados de 2026, e a base ainda agrega informações sobre eleitorado e abstenção, o que possibilita medir a participação em cada lugar.
Ao separar os resultados por urna, aparecem mudanças de comportamento eleitoral que somem quando se olham os totais nacionais. No primeiro turno, a Revista Fórum mostrou, com base nas atas, em quais locais do exterior Lula avançou frente a 2022. Tecnologia, dados, design e comunicação são as áreas que reúnem os integrantes da equipe da plataforma. Júlio Saulo Silva é quem responde pela programação e pelo tratamento dos dados eleitorais.
O jornalista Pedro Oliveira, de Belo Horizonte, atua na frente de mídia e divulgação da iniciativa. Nos créditos, aparece como Pedro Eufrosino, com trabalho em comunicação, jornalismo de dados e assessoria de imprensa. O site também traz a assinatura da Kalina Code, e a empresa lista o projeto como autoral em seu portfólio. Júlio e Natália integram o quadro da companhia. Segundo a apresentação institucional, Natália fica com a organização dos projetos e a direção visual, enquanto a estrutura e o desenvolvimento cabem a Júlio.
Todo o código e a metodologia estão disponíveis gratuitamente no GitHub, onde também podem ser consultados os procedimentos usados na organização dos dados das eleições.
Por se tratar de voto secreto, a ferramenta nunca revela a escolha individual de quem mora ali. O que aparece é a soma das urnas de um determinado local de votação, que pode não abranger todos os residentes daquela rua. Para chegar à localização da região, cruzam-se as coordenadas dos endereços com as dos locais eleitorais, vinculando cada residência ao ponto de votação mais próximo dentro do município. A metodologia incorpora mais de 111 milhões de endereços do cadastro do IBGE.
A consulta é gratuita, funciona pelo celular ou computador e permite compartilhar os resultados encontrados por meio de um link.


