Afastamentos por transtornos mentais na Bahia crescem 203% em uma década

Afastamentos por transtornos mentais na Bahia crescem 203% em uma década

O volume de benefícios previdenciários concedidos na Bahia devido a transtornos mentais registrou um salto expressivo nos últimos dez anos. Dados compilados pelo SmartLab, iniciativa conjunta do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT), indicam que o número de trabalhadores afastados por questões psíquicas saltou de 5.020, em 2014, para 15.189, em 2024. Esse cenário representa uma alta de aproximadamente 203% no período.

Especialistas apontam que fatores como sobrecarga de trabalho, assédio organizacional e pressões excessivas contribuem para o adoecimento no ambiente profissional. A médica do trabalho Ana Paula Teixeira, autora do livro Quando o Trabalho Dói, observa que muitas empresas focam exclusivamente em resultados, negligenciando o impacto que o ambiente exerce sobre a saúde dos funcionários.

Para a especialista, a gestão moderna precisa integrar a segurança psicológica como estratégia central. “Bem-estar e segurança psicológica precisam ser entendidos como estratégias de gestão, e não apenas como exigências legais. Equipes saudáveis produzem melhor, permanecem mais engajadas e apresentam menor risco de adoecimento”, afirma Teixeira. Ela defende a revisão de metas e a implementação de uma cultura que priorize o respeito.

A prevenção de casos de sofrimento emocional requer medidas estruturadas, como a capacitação de gestores para identificar sinais precoces, a exemplo de mudanças bruscas de comportamento, isolamento ou queda no rendimento. Além disso, a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) em 2026 reforça a necessidade de atenção aos riscos psicossociais. “Entre as medidas preventivas estão a capacitação de lideranças para identificar sinais de sofrimento emocional, a criação de canais confidenciais de acolhimento e a avaliação dos chamados riscos psicossociais, que passaram a receber atenção especial com a atualização em 2026 da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passa a exigir das empresas maior atenção aos riscos psicossociais no trabalho. Mudanças bruscas de comportamento, isolamento, queda de rendimento e alterações de humor são sinais que devem ser observados com cuidado e acolhimento”, conclui a médica.

Foto: Magnific / Dra. Ana Paula Teixeira (arquivo pessoal)*

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