Sexta-feira, 23 de outubro de 2026 · Salvador, BA

Escala 5×2 aumenta produtividade e reduz custos, afirma CEO do Savegnago

A rede Savegnago adotou a escala 5×2 e viu a produtividade subir e o preenchimento de vagas acelerar. A estratégia mostra que flexibilizar a jornada pode ser um diferencial competitivo para atrair talentos no varejo.

Escala 5×2 aumenta produtividade e reduz custos, afirma CEO do Savegnago

Desde janeiro, a rede de supermercados Savegnago adotou a escala 5×2 para todos os funcionários do varejo. A mudança, segundo o CEO Chalim Savegnago, trouxe mais satisfação aos colaboradores, elevou a produtividade e não comprometeu a lucratividade. Em entrevista ao programa C-Level Entrevista, da Folha, ele contou que a medida foi tomada inicialmente para atrair candidatos a uma nova loja em Indaiatuba, no interior paulista, e acabou estendida a todas as unidades.

Com a escala 5×2, a jornada semanal permaneceu em 44 horas, mas redistribuída ao longo de cinco dias. Antes, no regime 6×1, o funcionário cumpria 7 horas e 20 minutos por dia; agora, trabalha 8 horas e 48 minutos. Para viabilizar o novo formato, a empresa encurtou o horário de funcionamento aos domingos, passando a fechar às 18h, e reduziu o intervalo de almoço de 1h50 para 1h10. “Vimos a necessidade de iniciar a 5×2 para atrair mais candidatos”, afirmou o executivo.

Conforme explicou o CEO, o ganho de produtividade vem do fato de a equipe folgar duas vezes por semana e, assim, comparecer ao serviço com mais energia. Ele cita ainda a economia obtida nas despesas de transporte e alimentação dos funcionários, somada a menos batidas de carro no percurso de casa para o trabalho. Já os indicadores de turnover e de faltas ao serviço seguem sem avanço relevante. “Continua um pouco alta”, afirmou Savegnago a respeito da rotatividade.

O setor de supermercados se prepara para o impacto da decisão do Congresso, tomada neste mês, de encurtar a jornada semanal para 40 horas a partir de 2028. Na conta do CEO do Savegnago, sem nenhum ajuste no horário em que as lojas atendem, a folha de pagamento ficará 17% mais cara. A saída encontrada pela rede é encurtar o período em que as unidades ficam abertas, seguindo o movimento dos próprios clientes, que passarão a trabalhar menos. “Se eles têm mais tempo disponível, eu não preciso ficar tanto mais tempo aberto”, justificou.

Para o executivo, a contratação por hora deveria funcionar como complemento ao time efetivo. Na avaliação dele, o modelo pode atender estudantes e quem procura uma renda a mais, contanto que empregador e trabalhador firmem um acordo transparente. “Não pode ter uma vulnerabilidade da pessoa achar que vai vir trabalhar amanhã e [o patrão] fala: ‘amanhã você não precisa vir não’”, advertiu. Savegnago enxerga com simpatia a hipótese de o Senado aprovar emendas que autorizem a reposição do quadro com horistas, mas prefere não arriscar palpites: “O resto é só especulação”.

A escala 5×2, mesmo antes de virar lei, já dava mostras de ajudar a atrair gente. Conforme o CEO, as posições abertas começaram a ser ocupadas em menos tempo. “Com a escala 5×2, conseguimos completar as vagas mais rapidamente do que antes”, relatou. Ele conta ainda que os empregados dizem ter mais horas livres para a família e os filhos. No ranking da Associação Brasileira de Supermercados, a empresa ocupa o 5º lugar em São Paulo e o 17º no país.

A partir de 16 de dezembro, quando a escala 5×2 passa a valer como lei, o Savegnago espera reforçar o controle do absenteísmo. Quem faltar ao trabalho perderá o dia e mais dois dias de descanso semanal, o que deve pesar no holerite. “Estamos trabalhando para isso”, disse o executivo. Sobre a rentabilidade, ele garante que não houve perda: “Tivemos ganhos. Um pouco, que não é muito significativo, foi no vale-transporte”.

Imagem meramente ilustrativa. Crédito da ilustrativa: Jornal Cidade

LEIA MAIS: