- Brasil confirma os quatro primeiros casos de Febre do Nilo Ocidental em São Paulo e Santa Catarina, com um óbito registrado.
- A doença é transmitida pela picada do mosquito Culex e não é considerada altamente contagiosa entre humanos.
- Não há vacina ou tratamento antiviral específico; o cuidado foca em suporte médico e hidratação.
O Brasil registrou nesta semana os primeiros casos da Febre do Nilo Ocidental, doença viral transmitida pela picada do mosquito Culex. Já são quatro confirmações: duas em São Paulo, nas cidades de Ribeirão Preto e São José do Rio Preto, e duas em Santa Catarina, em Caçador e Imbituba, onde uma mulher de 77 anos morreu no dia 8 de agosto.
O governo de Santa Catarina informou que “ambos os quadros apresentaram manifestações neurológicas e seguem sob investigação epidemiológica contínua para mapear com precisão os prováveis locais de infecção e detalhar a relação entre a circulação do vírus e as manifestações clínicas registradas”. Nem todos os infectados desenvolvem sintomas: estima-se que apenas 20% apresentam sinais como febre, dores de cabeça e no corpo, cansaço e, em casos graves, comprometimento do sistema nervoso central.
Em casos graves, que acometem um a cada 150 pacientes, a infecção pode causar meningite, encefalite e paralisia. A taxa geral de mortalidade é baixa, mas chega a cerca de 10% entre os casos com acometimento neurológico. O Dr. Victor Castro Lima, infectologista e coordenador da infectologia do Hospital Mater Dei de Salvador, explicou ao portal A TARDE que idosos são o grupo mais vulnerável: “O principal fator de risco para formas graves é a idade, indivíduos maiores de 65 anos têm maior risco de ter acometimento do sistema nervoso e indivíduos maiores de 50 anos têm maior risco de óbito pela doença”.
O diagnóstico é feito por avaliação clínica e exames laboratoriais, especialmente quando há suspeita. Pessoas com sintomas compatíveis e histórico de exposição a áreas com mosquitos devem procurar um serviço de saúde e informar essa condição. Não existe vacina nem tratamento antiviral específico; o tratamento é de suporte, com repouso, hidratação e acompanhamento médico. Em casos graves, pode ser necessária internação e UTI, com reposição de líquidos intravenosos e suporte respiratório.
O médico alerta que muitos sintomas são semelhantes aos da dengue, por isso “é importante evitar medicamentos contra-indicados na Dengue, como ácido acetilsalicílico e outros anti-inflamatórios não-esteroidais”. O vírus foi descoberto em 1937, no norte de Uganda, e permaneceu restrito a algumas regiões por décadas até se espalhar globalmente, principalmente por aves migratórias infectadas. Chegou aos Estados Unidos em 1999 e agora ao Brasil.
Victor Castro Lima atribui a dispersão ao aquecimento global: “É importante destacar que nas últimas décadas essa doença tem surgido em locais onde ela não existia ou era pouco comum, e um dos motivos que se atribui a isso são as mudanças climáticas, levando a temperaturas mais altas em alguns lugares do mundo”. O aumento das temperaturas cria condições mais propícias para a propagação de arboviroses.
Quanto ao risco de epidemia no Brasil, o médico avalia que a chance “é muito baixa” devido à forma de transmissão: “Diferente de outras doenças de alta transmissibilidade, como Influenza, Covid-19 e sarampo, por exemplo, a transmissão da Febre do Nilo Ocidental ocorre pela picada de mosquitos. Ela não é considerada uma doença altamente contagiosa”. O ciclo envolve aves silvestres como hospedeiras naturais; humanos, equinos e outros mamíferos são hospedeiros acidentais e terminais, sem transmitir o vírus adiante.
O especialista não descarta que a doença se torne endêmica no Brasil, como ocorre com dengue, malária e febre amarela. “Isso se justifica pelo principal vetor da doença, o mosquito Culex (conhecido como pernilongo) ter ampla distribuição no país. Além disso, algumas aves que servem de reservatório para o vírus também são encontradas no Brasil”, conclui.
Imagem meramente ilustrativa. Crédito da ilustrativa: Dhoje Interior
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Perguntas frequentes
Como a Febre do Nilo Ocidental é transmitida?
A transmissão ocorre exclusivamente pela picada do mosquito Culex, que atua como vetor.
Quais são os sintomas da doença?
Cerca de 20% dos infectados apresentam febre, dores de cabeça, dores no corpo e cansaço, podendo evoluir para quadros neurológicos graves.
Existe risco de uma grande epidemia no Brasil?
O risco é considerado muito baixo, pois a doença não é altamente contagiosa e humanos são hospedeiros terminais, não transmitindo o vírus adiante.
Quem corre maior risco de desenvolver formas graves?
Idosos, especialmente pessoas com mais de 65 anos, são o grupo mais vulnerável a complicações no sistema nervoso.
