A sete dias da votação que define o primeiro turno, levantamento técnico da Ativaweb DataLab, cobrindo de 27 de setembro a 3 de outubro, mostra que o senador Flávio Bolsonaro (PL) bancou 174 anúncios na plataforma Meta, com desembolso de R$ 6,1 milhões. No mesmo intervalo, o presidente Lula (PT) aplicou R$ 3,6 milhões na veiculação de 511 peças publicitárias.
A média por anúncio revela estratégias distintas: Flávio pagou cerca de R$ 35 mil por cada peça, contra R$ 7 mil de Lula. O senador também viu seu engajamento mais que dobrar, ao passo que o do petista recuou quase 35% no mesmo intervalo.
O avanço nas redes seguiu a escala dos desembolsos. De um lado, o senador atraiu 1,3 milhão de novos seguidores e, mesmo com apenas 17 posts, atingiu 7,19% de engajamento. Do outro, o presidente somou 455 mil seguidores, mas publicou 79 vezes e viu o índice recuar 35%.
Para Alek Maracajá, CEO da Ativaweb DataLab, a lógica das plataformas favorece a interação, não o volume. “Algoritmo não premia quem posta mais. Premia quem provoca reação. Na reta final, Flávio falou menos e foi muito mais ouvido”, afirmou. Ele também destacou a seletividade como fator decisivo: “Estratégia na reta final é escolher onde não gastar. Flávio escolheu poucas batalhas e venceu quase todas”.
Houve também contraste evidente no recorte demográfico escolhido por cada campanha. Enquanto o senador aplicou a totalidade dos R$ 6,1 milhões em anúncios voltados a quem tem mais de 65 anos, o presidente reservou um quarto do investimento a essa faixa sem qualquer segmentação e direcionou a fatia mais robusta dos recursos aos eleitores de 30 a 34 anos.
Para a Ativaweb, o senador extraiu mais retorno de cada real investido em visibilidade nas plataformas, ao passo que o presidente espalhou seu engajamento por um leque maior de posts e abriu mão de dialogar com o eleitor de idade mais avançada.


