- O Hospital Universitário da UFS registrou um caso de Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), condição neurodegenerativa rara e de rápida progressão.
- A doença é causada por príons, proteínas que se tornam anormais e danificam o cérebro, diferenciando-se de condições como Alzheimer pela velocidade dos sintomas.
- Não há cura para a DCJ; o tratamento é focado em cuidados paliativos e suporte multidisciplinar para melhorar a qualidade de vida do paciente.
O Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe (HU-UFS) registrou recentemente um caso de Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ). O paciente, um homem de 54 anos, segue sob acompanhamento de uma equipe multiprofissional especializada em transtornos do movimento. A condição, caracterizada por ser neurodegenerativa, grave e apresentar um ritmo de progressão acelerado, ganhou visibilidade nacional após o diagnóstico do influenciador e especialista em segurança aérea Lito Sousa.
Segundo o neurologista e professor voluntário do HU-UFS, Helton Benevides, a DCJ faz parte do grupo das doenças priônicas. O fenômeno ocorre quando uma proteína do próprio organismo, denominada príon, assume uma forma anormal e induz a alteração de outras proteínas cerebrais, resultando em lesões neuronais. O médico reforça que o diagnóstico clínico é complexo, exigindo exames como ressonância magnética, eletroencefalograma e análise do líquor, além do exame RT-QuIC, que identifica a proteína alterada em vida.
Diferente de patologias como o Alzheimer ou o Parkinson, que possuem evolução gradual ao longo de anos, a DCJ pode comprometer capacidades motoras e cognitivas em questão de semanas ou meses. “Uma pessoa que estava independente pode começar a apresentar alterações de memória e até de comportamento e, em pouco tempo, desenvolver dificuldade para caminhar, falar, coordenar os movimentos ou rapidamente ter dificuldade para realizar atividades básicas”, explica Benevides. O especialista alerta, contudo, que uma evolução rápida não confirma automaticamente a doença, já que outros quadros clínicos podem apresentar sintomas semelhantes.
Sobre a transmissão, o neurologista esclarece que a forma clássica da doença não é contagiosa pelo convívio social habitual, contato físico ou via aérea. As variantes adquiridas são raras e restritas a situações médicas específicas, como procedimentos neurocirúrgicos antigos ou uso de tecidos biológicos. A forma esporádica, que é a mais comum, surge de maneira espontânea. Devido à ausência de cura, o tratamento foca em cuidados paliativos, suporte terapêutico e melhoria da qualidade de vida, envolvendo áreas como fisioterapia, fonoaudiologia e nutrição para gerenciar sintomas como espasmos musculares e dificuldades na deglutição.
Foto: Divulgação
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Perguntas frequentes
A Doença de Creutzfeldt-Jakob é contagiosa?
Não, a forma clássica da doença não é transmitida pelo convívio social, contato físico ou vias aéreas.
Como é feito o diagnóstico da DCJ?
O diagnóstico envolve exames como ressonância magnética, eletroencefalograma, análise do líquor e o exame específico RT-QuIC.
Existe tratamento para a doença?
Não existe cura, por isso o tratamento é voltado para cuidados paliativos, fisioterapia, fonoaudiologia e nutrição para gerenciar os sintomas.

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