Em setembro, a taxa de quem deixou de pagar o aluguel no território baiano recuou a 4,31%, o que representa 0,32 ponto percentual a menos do que em agosto (4,63%). Trata-se do índice estadual mais baixo de 2026 e do menor resultado em 14 meses, conforme o Índice de Inadimplência Locatícia (IIL) da Superlógica, publicado nesta semana.
Frente a setembro do exercício anterior, o movimento de baixa ganha força: eram 7,89% e agora são 4,31%, diferença de 3,58 pontos percentuais. Entre as unidades federativas que compõem a amostra, nenhuma outra apresentou recuo tão expressivo em doze meses. Mesmo assim, o estado ainda aparece acima do patamar brasileiro, de 2,93% no mesmo intervalo.
O diretor de Negócios para Imobiliárias do Grupo Superlógica, Manoel Gonçalves, avalia que o movimento é positivo, mas pede cautela. “A queda da inadimplência na Bahia na comparação mensal e, principalmente, em relação ao ano passado é um movimento positivo, mas ainda é cedo para afirmar que essa trajetória vai se manter. Juros elevados e a pressão do custo de vida continuam afetando o orçamento das famílias e podem ter reflexos sobre a capacidade de pagamento dos inquilinos nos próximos meses”, afirmou.
Quando a análise se volta às regiões, o Nordeste permanece no topo da inadimplência, somando 5,08% em setembro — 0,01 ponto percentual a mais do que os 5,07% de agosto. Logo atrás vem o Norte, que foi de 4,35% a 4,45% (+0,10 p.p.). No Sul, o indicador subiu de 2,70% para 2,79% (+0,09 p.p.). Já o Sudeste apresentou queda, de 2,86% para 2,76% (-0,10 p.p.), o que configura o patamar mais baixo já anotado em sua série histórica. No Centro-Oeste, a variação foi de 2,60% para 2,62%, e a região segue com a menor taxa do país pelo segundo mês seguido.
Dentro do Nordeste, os imóveis comerciais continuam concentrando o maior índice de inadimplência, que subiu para 7,30% em setembro, avanço de 0,38 ponto percentual frente aos 6,92% de agosto. As casas tiveram queda de 0,78 p.p., passando de 6,00% para 5,22%. Os apartamentos também registraram redução, de 3,87% para 3,77% (-0,10 p.p.).
Os imóveis de uso comercial cujo aluguel não passa de R$ 1 mil tiveram, em setembro, baixa de 0,24 ponto percentual e terminaram o mês em 7,41% — número que, ainda assim, os coloca na liderança do ranking nacional de inadimplência, muito à frente da média geral. Entre os residenciais dessa mesma faixa de preço, a taxa ficou em 5,99%, 0,14 p.p. abaixo dos 6,13% registrados em agosto.
“Mesmo com a queda no mês, as faixas de aluguel mais baixo continuam concentrando taxas de inadimplência significativamente superiores à média nacional. É um dado importante porque mostra que a melhora do índice agregado não acontece de maneira uniforme entre os diferentes perfis de imóveis e valores de locação”, explicou Gonçalves.
O alívio alcançou também as faixas de aluguel mais caras no mês de setembro. Nos residenciais acima de R$ 13 mil, o indicador recuou 0,21 ponto percentual, passando de 5,96% para 5,75%. Já os comerciais nessa mesma faixa caíram 0,18 p.p. frente a agosto (4,50%) e encerraram em 4,32%, patamar ainda bastante superior à média do país, de 2,93%. As taxas mais baixas do período apareceram nos imóveis residenciais na faixa de R$ 2 mil a R$ 3 mil (1,72%) e nos comerciais de igual faixa (3,28%).
Na separação por categoria de imóvel, os comerciais continuam liderando o indicador, com recuo de 4,22% em agosto para 4,11% em setembro. Já os apartamentos foram de 2,13% a 2,12%, enquanto as casas registraram 3,23% no mesmo intervalo, contra 3,30% anteriormente.
Levantamento mensal da Superlógica, o IIL se baseia em informações próprias e sem identificação de mais de 1 milhão de inquilinos espalhados pelo Brasil. Entram na conta como inadimplentes os boletos vencidos há mais de 60 dias, quer por não pagamento, quer por quitação depois desse intervalo. A apuração considera o valor do boleto, a categoria do imóvel (apartamento, casa ou comercial), a localização e as datas de vencimento e de pagamento.
Foto: Bahia Economica


