Em pronunciamento feito neste domingo (1º), depois de passar uma semana sem voz, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assegurou que, ao longo do quarto mandato, que começa em 2027, não vai acabar com nenhum programa social.
Lula foi enfático ao negar a possibilidade de fim de benefícios: “Escutem o que eu vou dizer: nenhum programa social será extinto neste país”. Ele acrescentou que a única mudança possível é a criação de novas iniciativas ou o aprimoramento das já existentes.
O presidente relacionou o período de afonia à disseminação de notícias falsas após a eleição. “Passei a semana inteira sem voz. Trabalhei muito para me recuperar. E, numa semana em que fiquei sem voz, a mentira voltou a tomar conta deste país”, afirmou.
Depois que o segundo turno de 25 de outubro terminou com a derrota de Flávio Bolsonaro (PL), começaram a aparecer nas redes sociais posts que espalham mentiras sobre o Bolsa Família e o Gás do Povo — ora dizendo que teriam acabado, ora que estariam menores —, além de anunciar uma suposta revogação da regra que pôs fim à jornada 6×1, o que não ocorreu. A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) divulgou nota para negar essas informações falsas: segundo o órgão, os programas seguem operando normalmente, os repasses não foram interrompidos e ninguém perdeu benefícios. O governo também sustenta que continua valendo a emenda constitucional que encerrou a escala 6×1.
Naquele momento, Lula não apresentou novidades em termos de medidas, mas voltou a prometer o que havia defendido na campanha: “Tudo aquilo que foi prometido na campanha, podem ter certeza de que vai acontecer. Podem ter certeza”. Logo depois, dirigiu-se a quem espalha os boatos: “Não acreditem nos mentirosos de sempre, que vivem tentando vender desgraça e infelicidade ao nosso povo”.
Quanto à saúde, o presidente deixou os apoiadores tranquilos: “Estou com boa saúde. Minha voz melhorou”. Seu plano é visitar os estados e, pessoalmente, agradecer aos eleitores. “Quero agradecer a cada mulher, a cada homem, a cada pessoa idosa que foi votar, a cada jovem que foi às ruas para garantir a continuidade da democracia brasileira”, declarou.
O placar do primeiro turno, que havia sido do adversário, acabou reproduzido por Lula na reeleição: Flávio Bolsonaro somou 48,21% dos votos válidos, enquanto o petista chegou a 51,79%. Encerrada a disputa, integrantes do mercado passaram a especular sobre quem ocupará a Fazenda a partir de 2027, num ambiente de preocupação com os gastos públicos e com o rumo da dívida.
Em entrevista exclusiva à Folha, Rafael Fonteles (PT), governador reeleito do Piauí e um dos nomes cotados para a Fazenda, afirmou que a gestão Lula será mais arrojada na área social, sem descuidar da responsabilidade fiscal. “Ele vai navegar nesses dois campos, conciliar essas duas agendas, mas jamais vai abrir mão dos ganhos sociais a cada ano”, declarou. Segundo Fonteles, o arcabouço fiscal comporta os compromissos assumidos durante a campanha, e as medidas econômicas só serão anunciadas no momento apropriado.
Somadas, as ações do governo Lula voltadas às eleições alcançam R$ 290 bilhões, se levados em conta os valores projetados para 2026 e 2027, o que aumentou a tensão sobre a dívida pública. Esse total pode comprometer a gestão que se inicia.


