O retorno de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Palácio do Planalto em 2027 abre um quarto mandato do petista diante de um Legislativo com maioria mais à direita. Tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado, o PL — partido do senador Flávio Bolsonaro — conquistou mais cadeiras, cenário que tende a atravessar o caminho de iniciativas defendidas pelo governo federal.
Para contornar esse cenário, a aposta de Lula é estreitar laços com os comandos das duas Casas. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), são os principais interlocutores que o petista pretende manter próximos.
Durante o terceiro mandato, a relação entre o governo e o Congresso teve momentos de tensão, sobretudo no Senado. Um dos desgastes mais lembrados foi a derrubada da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF).
Ainda assim, Lula demonstrou disposição para lidar com a nova configuração política. Logo após ser confirmado vencedor, ele fez um discurso em que reconheceu os obstáculos pela frente, mas deixou claro que não pretende recuar.
“Já tem gente falando ‘o Lula vai ter muita dificuldade para governar porque o Congresso está mais conservador’. Eu não escolhi o Congresso. Foi o povo que escolheu. E é com ele que eu vou votar, vou trabalhar e vou aprovar as coisas”, declarou o presidente reeleito.
Segundo apurou O Globo, a articulação política do próximo mandato deve ter entre suas primeiras ações a defesa da reeleição de Hugo Motta à frente da Câmara e de Davi Alcolumbre no comando do Senado, ambos com a disputa prevista para fevereiro de 2027.
A lógica por trás dessa estratégia é que a continuidade dos dois no comando do Legislativo preservaria um canal aberto de negociação com o governo.
Nas semanas recentes, Motta e Alcolumbre ajudaram a destravar pautas de interesse do Planalto, atendendo a pedidos feitos pelo Palácio do Planalto. A atuação de ambos tem sido elogiada por pessoas próximas ao presidente.


