A partir desta sexta-feira, 25, moradores da cidade de São Paulo já encontram no catálogo do Mercado Livre tanto antibióticos quanto remédios da família dos GLP-1 — Ozempic e Wegovy estão entre eles. Com essa novidade, a plataforma de comércio eletrônico passa a comercializar no país fármacos que só podem ser vendidos mediante receita, faixa em que até então não havia atuação.
A chegada a esse mercado ocorre após um projeto-piloto realizado desde março, quando a empresa começou a vender itens de venda livre, sem necessidade de receita. De acordo com o Mercado Livre, a procura por remédios na plataforma já era significativa, mas a oferta de produtos controlados exigia uma estrutura capaz de atender às normas do setor.
Esse formato já é adotado em outros países latino-americanos, entre os quais México, Colômbia, Argentina e Chile. Aqui, a operação estreia apoiada em uma farmácia própria, com a meta de agregar drogarias parceiras ao longo de outubro.
Para comprar um medicamento sujeito a prescrição, o cliente escolhe a oferta como faz com qualquer outro produto. Em seguida, precisa enviar a receita pela internet. Um farmacêutico analisa o documento e, somente depois da validação, a compra é liberada.
Junto com os medicamentos, a empresa anunciou o Envios Agora, modalidade que se compromete a despachar itens selecionados em no máximo sessenta minutos. Dessa forma, o Mercado Livre entra na disputa por rapidez com aplicativos de entrega que já levam remédios, caso do iFood, e com cadeias farmacêuticas que oferecem envio veloz em certas áreas. Esse intervalo, porém, muda de acordo com o endereço, o estoque disponível e a área atendida pelo Envios Agora.
A investida no setor farmacêutico, porém, enfrenta questionamento. A Associação Brasileira de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) afirmou que vai levar à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) uma dúvida sobre a legalidade da venda de medicamentos por marketplaces. “No entendimento da entidade, enquanto não for concluída a regulamentação em discussão na agência, permanece vedada a comercialização de medicamentos por marketplaces”, declarou a Abrafarma em nota à imprensa.
