Elon Musk desembolsou aproximadamente US$ 474 milhões (R$ 2,6 bilhões) para bancar a campanha de postulantes do Partido Republicano. Depois disso, usou as redes sociais nesta quarta-feira (4) para alfinetar, com deboche, o resultado obtido pela legenda. No X, o bilionário escreveu: “Parece que meus raios laser espaciais de interferência eleitoral não funcionaram desta vez”.
Com a apuração das midterms norte-americanas, os democratas asseguraram o comando do Congresso: ficaram à frente tanto no Senado quanto na Câmara. Essa sequência de triunfos, que não era esperada, mexe na correlação de forças no Legislativo e vale até o encerramento do mandato de Donald Trump.
Conforme levantamento da OpenSecrets, nenhum outro doador individual havia aportado tanto num ciclo eleitoral federal desde 2010 — ano em que os gastos sem teto em campanhas passaram a ser permitidos. Do montante desembolsado por Musk, US$ 158 milhões (R$ 793 milhões) seguiram para Ken Paxton, postulante republicano ao Senado pelo Texas e interlocutor próximo de Trump.
Quem levou a melhor foi o democrata James Talarico, derrotando Paxton e tornando-se o primeiro nome do partido a conquistar uma cadeira no Senado texano desde 1994. Logo após o resultado, Talarico discursou: “Nesta disputa, enfrentamos nossos próprios Golias. O homem mais rico do mundo, o homem mais poderoso do mundo e todo o aparato de Washington”.
Na corrida eleitoral, o bilionário investiu repetidamente contra o adversário democrata, a quem rotulou de “lunático de esquerda” e acusou de querer destruir a democracia e fazer com que toda criança se tornasse transgênero. Já Talarico figura entre os políticos jovens que ganham espaço na sigla e que fazem coro contra as cifras vultosas despejadas por magnatas e ricos em disputas eleitorais no país.
Reduto histórico dos republicanos, o Texas impôs aos conservadores uma dupla derrota. Gina Hinojosa, democrata de ascendência mexicana, superou o governador Greg Abbott e passa a ser a primeira mulher latina a comandar o estado.
Ambos os democratas vitoriosos fizeram críticas ao crescimento das estruturas de data centers voltadas à inteligência artificial no território texano — justamente onde Musk ergueu as sedes da Tesla, da SpaceX e da rede X. Esse avanço causa apreensão entre os texanos, seja pelo encarecimento das faturas de energia e pelo maior gasto de água, seja pelo risco de sobrecarregar a malha elétrica.
Diante do novo desenho do Congresso, o empresário demonstrou temor de que o ritmo de implantação dos data centers desacelere. Foi então que declarou: “Os centros de dados no espaço parecem bastante atraentes neste momento”.


