O rapper Macklemore afirmou que sua retirada da turnê Loop, de Ed Sheeran, foi resultado de uma articulação de proprietários de estádios que ameaçaram cancelar apresentações caso ele fosse mantido no line-up. A declaração foi publicada nesta segunda-feira em seu perfil no Instagram, horas depois de a produtora Messina Touring Group confirmar o desligamento do artista.
Segundo Macklemore, Robert Kraft, dono do New England Patriots e do Gillette Stadium — local onde a turnê passaria no fim de setembro —, ligou para Sheeran dizendo que não permitiria a apresentação do rapper em seu estádio. O empresário, conforme o relato, “reuniu alguns dos outros donos de estádios e, coletivamente, eles lhe deram um ultimato: se Macklemore continuar na turnê, você não poderá se apresentar em nossos venues”. A assessoria de Kraft não respondeu imediatamente ao pedido de comentário.
Mais cedo, a Messina Touring Group havia informado que “fomos notificados por venues nas próximas datas da turnê nos EUA de que eles não permitirão que um show aconteça com Macklemore no line-up, o que resultaria no cancelamento da turnê e impactaria centenas de milhares de fãs”.
Na nota, Macklemore descreveu a situação de Sheeran como “uma posição fodida”, acrescentando que a “postura tipicamente apolítica” do cantor “estava sendo desafiada de uma forma como nunca antes”. Ele contou que os dois são amigos há 13 anos e que Sheeran é como um “irmão”, mas que, por isso, tiveram “conversas difíceis na última semana”, baseadas em “amor e respeito”, embora tenham terminado em “desacordo fundamental”.
O rapper relatou que Sheeran lhe disse que as palavras “Free Palestine” e a imagem da bandeira palestina eram dolorosas para muitas pessoas com quem conversou. “Eu disse a ele que se essas palavras fossem mais ofensivas do que dezenas de milhares de crianças palestinas sendo mortas por Israel, então havia um distanciamento fundamental entre onde essas pessoas estavam e onde eu estava. Mas ele não conseguia superar sua postura pública de ‘não tomo partido'”, escreveu Macklemore. A assessoria de Sheeran não respondeu de imediato a um pedido de comentário.
Macklemore disse entender por que Sheeran e outros hesitam em se pronunciar, mencionando os riscos financeiros e de carreira que acompanham tais manifestações. Ainda assim, acrescentou que “quando um lado tem as bombas e apoio financeiro e militar ilimitado da América, recusar-se a tomar partido não te deixa no meio”.
A repercussão começou em setembro, quando Macklemore fez sua saudação “free Palestine” durante o set de abertura no MetLife Stadium, em 4 de setembro. O Israeli-American Council lançou uma petição para removê-lo da turnê, mas o rapper dobrou a aposta. A cantora Pink, que também sofreu críticas por repostar um pedido de remoção do rapper, divulgou uma longa declaração na sexta-feira, na qual defendeu seus pontos de vista sobre o conflito Israel-Gaza e disse que estava “defendendo meu próprio povo”. Pink também mencionou uma fantasia usada por Macklemore em 2014, amplamente criticada como antissemita, pela qual ele se desculpou na época.
Nesta segunda-feira, Macklemore voltou a rejeitar a acusação de antissemitismo. “Quando dizer ‘Free Palestine’ é confundido com ódio aos judeus, isso não protege os judeus. Protege Israel da responsabilização”, afirmou.
Ele também escreveu que espera que o episódio não seja o fim de sua amizade com Ed. “Treze anos de amizade não desaparecem por causa de um desentendimento doloroso.” Para o rapper, a controvérsia é “pequena” quando comparada a “um povo inteiro sendo deslocado, faminto e mo$@#& enquanto o mundo debate quais palavras podemos usar para descrever isso, como essas palavras nos fazem sentir, e se nosso desconforto importa mais do que as pessoas vivendo um genocídio”.
Macklemore encerrou a postagem reafirmando seu apoio à causa palestina e dizendo que, mesmo fora da turnê, a mensagem foi entregue. “Eu não precisava de 10 shows do Ed. Eu precisava de 2”, declarou. “Duas chances de ficar na frente de 90 mil pessoas e dizer as palavras que de alguma forma se tornaram perigosas demais para dizer. Free Palestine. Mas se essas palavras me custaram o palco, ao mesmo tempo que viraram a conversa de volta para a Palestina, então foi a turnê mais bem-sucedida que já fiz.”
Crédito da ilustrativa: NME
