Segunda-feira, 28 de setembro de 2026 · Salvador, BA

The Town 2027 confirma Slipknot e Marilyn Manson no mesmo dia

O The Town 2027 confirmou Slipknot e Marilyn Manson como atrações de peso para a próxima edição em São Paulo. Zé Ricardo, curador do festival, destacou a força do line-up e a exclusividade da banda de metal no evento. #TheTown2027 #Slipknot #MarilynManson

The Town 2027

A organização do festival The Town já anunciou as primeiras atrações da edição que a capital paulista receberá em setembro de 2027 — nos dias 4, 5, 6, 11 e 12. Entre os confirmados para o mesmo dia de shows estão a banda americana Slipknot e o cantor Marilyn Manson, também dos Estados Unidos.

Conforme explicou Zé Ricardo, que ocupa o cargo de vice-presidente artístico na Rock World — companhia à frente do The Town e do Rock in Rio —, a única apresentação que o Slipknot fará em um evento do gênero durante sua nova turnê será justamente no festival paulistano. “É uma banda que tem uma base de fãs muito sólida, que a gente queria trazer para o festival já tem algum tempo e por conta de agenda não conseguiu”, afirmou.

Antes disso, a passagem mais recente do Slipknot pelo Brasil tinha sido em 2024, quando o grupo levou a São Paulo o Knotfest, festival de sua própria criação. Naquela oportunidade, o baterista brasileiro Eloy Casagrande, ex-Sepultura, subiu ao palco pela primeira vez em seu país natal ao lado do grupo. O músico integrou “Arsenal”, single lançado há pouco e primeira gravação dele com a banda a se tornar pública, o que abriu caminho para o disco seguinte.

Zé Ricardo demonstrou entusiasmo com o novo material. “Estão voltando com um disco novo, com máscaras novas, numa fase muito bonita, lançando a turnê”, declarou. “Isso me atrai muito — quando a banda não está naquele mesmo lugar parado, fazendo a mesma coisa. Acho o Slipknot uma banda inquieta e que tem muito rigor com sua narrativa própria.”

Sobre Marilyn Manson, o vice-presidente explicou que o cantor integra o pacote da turnê do Slipknot, sendo atração de abertura fixa. “É um artista muito bom, que a gente gosta muito e que vem junto com o Slipknot dentro desse pacote da turnê deles”, disse.

Sobre Manson, faz dez anos desde sua última passagem pelo Brasil. De lá para cá, o músico passou a ser alvo de acusações feitas por um grupo que reúne mais de dez mulheres — entre elas as atrizes Evan Rachel Wood e Esmé Bianco, ambas com relacionamentos anteriores com o cantor. As denúncias mencionam crimes como violência sexual, abuso psicológico, intimidação, coerção e estupro. Nos tribunais dos Estados Unidos, Manson se defendeu e recebeu uma única condenação, em 2023: precisou cumprir 20 horas de trabalho comunitário, além de pagar uma multa por ter assoado o nariz em uma cinegrafista. Parte dos casos ele resolveu por meio de acordos, enquanto outros tantos foram arquivados pela Justiça americana.

Zé Ricardo garantiu que um artista condenado não estaria no cartaz do The Town. “É um cara que não foi condenado, não tem uma coisa provada”, disse. “São histórias que absolutamente não fazem parte de nada do que a gente acredita, mas nesse momento ele é um artista que estará em turnê pelo mundo.”

O vice-presidente artístico da Rock World destacou que os festivais da empresa estão atentos ao comportamento dos artistas como seres humanos e que já deixaram de contratar nomes por histórico negativo. “Agora, é preciso que seja uma coisa concreta, porque tem coisas que não são. Nós já deixamos de trazer artistas porque foram coisas concretas — em que ele foi julgado, condenado e tem um peso na história dele isso acontecer. Mas a gente também não pode pré-condenar uma pessoa sem prova.”

Ele também disse não se preocupar com críticas ou boicotes. “Somos muito seguros do que fazemos, do nosso line-up. A opinião do nosso público é muito importante, mas não dá muito para levar em consideração tudo que se fala nas redes sociais. As redes têm coisas de amor, mas também visões míopes do que a gente apresenta enquanto festival”, afirmou. “Você vende 680 mil ingressos [no último Rock in Rio] e as pessoas dizem que estava vazio.”

Na avaliação de Zé Ricardo, a disputa com turnês e shows realizados em arenas e estádios é um desafio que atinge todos os festivais do planeta. O que, segundo ele, distingue os eventos da Rock World é a solidez de suas marcas, a exemplo do Rock in Rio. “A marca The Town, mesmo sendo nova, ela já é tão forte e tão cobiçada que a gente tem artistas como o Slipknot deixando de fazer turnê em arena para vir tocar no festival”, afirmou. “A gente esbarra com isso, mas é como foi com o Elton John. Ele poderia ter feito algum estádio, mas preferiu vir ao Rock in Rio.”

Questionado sobre o que muda no line-up, o curador preferiu não revelar detalhes, mas adiantou que a ideia é levar adiante os “labels” — os dias temáticos que, na edição mais recente do The Town, foram dedicados por exemplo ao rock ou ao trap. “Temos vontade de criar outros labels assim”, declarou. “Novas propostas de dia com construção de um line-up específico para aquela data.”

Zé Ricardo comentou a repetição de nomes nas escalações das últimas edições de The Town e Rock in Rio. “Não são muitos artistas capazes de juntar 100 mil pessoas por dia no mesmo evento”, afirmou. “Então, às vezes a gente repete nomes porque foram muito bem no festival e explodiram de um jeito que tinha uma procura gigantesca — aí trazemos de novo. Mas na verdade a gente quer manter a identidade de cada festival, muito característica, com a sua própria personalidade.”

Ele ainda brincou sobre as críticas à montagem das escalações, comparando com a maneira como os torcedores agem com seus times de futebol. “É paixão. O cara acha que o line-up tinha que ser feito para ele. Se tem um artista que ele não gosta, já fala ‘ihhh’”, afirmou. “As pessoas que mandam amor para a gente são milhares, e as pessoas que reclamam, no fim das contas, também vão, compram o ingresso. Então, mostra a paixão delas pelo evento.”

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