Antes de ser papa, Leão XIV alertou sobre perigos da vingança pós-11 de Setembro

Leão XIV

Dez dias após os ataques de 11 de setembro de 2001, o reverendo Robert Prevost, que mais tarde se tornaria o papa Leão XIV, utilizou uma missa na Basílica de Santa Maria del Popolo, em Roma, para pedir que a resposta à tragédia não fosse guiada pela vingança. Em seu discurso aos membros da Ordem de Santo Agostinho, logo após assumir a liderança da instituição, ele estabeleceu uma conexão direta entre o atentado às Torres Gêmeas e as desigualdades globais.

O religioso argumentou que o cenário de violência global era reflexo de problemas estruturais profundos. Segundo Prevost, “o ódio e a violência só aumentarão enquanto as pessoas continuarem sendo obrigadas a viver em extrema pobreza, oprimidas por tantas formas de injustiça”. Ele destacou ainda que, diariamente, cerca de 24 mil pessoas faleciam devido à fome no mundo, sublinhando um contexto de desespero que precedia o clima de instabilidade política internacional.

Como prior-geral, o futuro papa reforçou que a postura da ordem religiosa deveria ser pautada por valores de unidade, diálogo e reconciliação. “Enquanto muitas pessoas estão buscando vingança, nós, agostinianos, devemos dar aos outros um testemunho extraordinário dos valores do Evangelho”, declarou na ocasião. Suas reflexões sobre o período serão compiladas na obra Freedom Under Grace, que chega ao mercado editorial em breve.

Além de tratar do atentado, o reverendo mencionou na época a fundação de uma província agostiniana na Nigéria, destacando a necessidade de atenção às crescentes tensões entre cristãos e muçulmanos. O registro histórico de suas palavras oferece uma perspectiva sobre o pensamento que o líder religioso cultivava antes de sua ascensão ao papado, focando em um chamado à paz em um momento de crise global.

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