A Operação Make Up, deflagrada em 11 de setembro, trouxe à tona questionamentos do ministro Flávio Dino sobre a transparência no financiamento do filme Dark Horse. Em sua decisão, o magistrado destacou a ausência de um relatório completo do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) referente à Academia Nacional de Cultura (ANC), entidade controlada pela produtora executiva do longa, Karina Gama.
O foco das autoridades recai sobre o fluxo de recursos que conecta o Instituto Conhecer Brasil (ICB) — que possui contrato milionário com a prefeitura de São Paulo — a fornecedores e, posteriormente, à ANC. Relatórios do Coaf indicaram que cerca de R$ 6,1 milhões seguiram esse caminho. O ministro Flávio Dino observou que, embora a ANC apareça como destinatária recorrente em comunicações de terceiros, não há registros bancários simétricos que justifiquem a origem e o destino integral desses montantes, levantando suspeitas sobre a existência de contas não declaradas.
A investigação também analisa os desdobramentos do caso Dark Horse, confrontando dados de uma perícia privada realizada pela produtora com as informações oficiais. Enquanto a defesa do projeto audiovisual sustenta que as despesas foram cobertas por investimentos privados, o ministro apontou “fortes indícios de retorno dos recursos públicos” que passaram pelo ICB para a esfera de disponibilidade dos responsáveis pela entidade. O cenário jurídico, que já gerou reações políticas como a de Flávio Bolsonaro sobre a operação da PF, segue em busca de esclarecimentos sobre a movimentação financeira de outras empresas ligadas a Karina Gama, como a Go7.
