Boato sobre Nossa Senhora Aparecida impulsiona críticas a Flávio Bolsonaro e favorece PT nas redes

Flávio Bolsonaro Record

Um boato envolvendo Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, ganhou força nas redes sociais nas últimas semanas e colocou o parlamentar no centro de uma onda de críticas. Conforme números reunidos pela Palver, empresa do setor de tecnologia e análise de dados, a informação falsa acabou favorecendo o PT e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no meio digital.

De acordo com esse levantamento, a história inventada de que Flávio pretendia tirar de Nossa Senhora Aparecida o posto de padroeira do Brasil gerou uma reação negativa em larga escala contra o senador. O episódio foi explorado por perfis de esquerda e por aliados do governo, que tentaram associá-lo a uma suposta ofensa à fé católica.

Na sexta-feira (25), a discussão alcançou 735 menções a cada 100 mil mensagens nas redes. Na quarta-feira (23), esse volume variava entre 40 e 80 menções para cada 100 mil publicações.

Descontadas as mensagens neutras, 73% das manifestações criticaram Flávio, enquanto 27% saíram em sua defesa. No WhatsApp e no Telegram, as críticas representaram 60%, contra 40% de apoio.

A narrativa que tratou o boato como verdadeiro respondeu por aproximadamente 37% das mensagens analisadas. Já o desmentido feito por Flávio e as publicações em sua defesa somaram 16%.

O relatório da Palver aponta o PT e o campo governista como “os principais beneficiados pela narrativa”, ao passo que Flávio é descrito como “o ator político mais prejudicado”. O conteúdo, segundo o documento, circulou sobretudo em perfis de esquerda, que tiveram alto engajamento.

O mesmo documento faz uma ressalva: o levantamento acompanha o que se discute no ambiente digital e não funciona como medidor de intenção de voto. Ainda assim, na avaliação da empresa, o episódio pode levar a uma “erosão do apoio católico” à candidatura do senador.

O boato nasceu de uma ligação equivocada entre Flávio e uma proposta levada à Câmara em 2007 pelo então deputado Victorio Galli. O texto trocaria “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos”, acabou arquivado em 2008 e nunca teve o senador entre seus autores.

Após a onda de reações, a emissora responsável por levar a informação ao ar veio a público se desculpar. Flávio, por sua vez, gravou um vídeo no qual rechaça qualquer articulação nesse sentido.

Em agenda no Rio de Janeiro nesta sexta-feira, o senador voltou a se pronunciar sobre o caso. “É uma mentira que eu teria apoiado algum projeto que fosse retirar Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil. Jamais faria isso”, afirmou, e atribuiu à “milícia do PT” a difusão da informação falsa.

“Eu sempre respeitei todas as religiões. Todos sabem que sou cristão, que sou evangélico, mas que respeito todas as religiões”, acrescentou.

O vice-presidente e candidato à reeleição, Geraldo Alckmin, também se manifestou. Ele disse ter recebido mensagens de católicos preocupados com a repercussão e afirmou que as tradições religiosas serão preservadas.

“Tenho recebido mensagens de católicos preocupados com os rumos do país e com as notícias lamentáveis que estão circulando desde o dia de ontem. Preciso esclarecer que, enquanto o presidente Lula e eu estivermos governando este país, as tradições religiosas, tão sagradas para as famílias brasileiras, estarão protegidas e preservadas. Defendemos que o Brasil é um país que respeita todas as religiões e é capaz de conservar pacificamente as tradições católicas”, afirmou Alckmin.

Levantamento do Datafolha divulgado na quinta-feira (24) aponta Lula à frente no eleitorado católico, enquanto Flávio Bolsonaro lidera entre os evangélicos. O presidente soma 45% das intenções de voto entre os católicos, ante 33% do candidato do PL. Já no grupo evangélico, Flávio alcança 47%, contra 27% de Lula. Nos dois segmentos, os indecisos representam 2%.

O episódio vem à tona justamente quando integrantes da Igreja Católica ampliam manifestações a respeito das eleições. Nesta semana, bispos do Regional Norte 1 da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) gravaram um vídeo em defesa do voto consciente, da democracia e do combate à manipulação religiosa. “As igrejas não são currais eleitorais”, afirmam os religiosos.

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