Quarta-feira, 4 de novembro de 2026 · Salvador, BA

Rui Costa Pimenta critica STF, vê perseguição a Flávio Bolsonaro e questiona resultado das urnas

Rui Costa Pimenta, do PCO, defende Flávio Bolsonaro contra ações do STF e critica a perseguição política no Judiciário. O dirigente também questiona a lisura das eleições após o baixo desempenho nas urnas.

Rui Costa Pimenta

O fundador do PCO, Rui Costa Pimenta, manifestou apoio a Flávio Bolsonaro (PL) ao classificar como uma perseguição a ordem para que o senador entregasse seus passaportes. Em depoimento à Folha de S.Paulo, ele argumentou que a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) carecia de base legal, ao mesmo tempo em que criticou o que define como uma atitude persecutória de setores da esquerda.

“Vi muita gente do PT falando [que] tem que prender os bolsonaristas. Isso é uma coisa persecutória, está equivocado, é antidemocrático. Não concordo com o PL, não concordo com Flávio Bolsonaro. Eu não tenho nada a ver com eles na verdade”, declarou. “Mas todo mundo tem o direito, e o direito deve ser respeitado. Eu não sou favorável a nenhum tipo de processo dessa natureza.”

Pimenta ainda sustentou que o bolsonarismo possui legitimidade enquanto movimento político, mesmo mantendo ressalvas tanto à sigla quanto ao parlamentar. Embora o dirigente acumule declarações que frequentemente contrariam uma parcela expressiva do espectro esquerdista brasileiro, a postura reflete o histórico do próprio PCO, que tem sido alvo de apurações nos últimos anos.

Na quarta-feira (28), o presidente do STF, Edson Fachin, ordenou o encerramento de um processo iniciado em 2022, derivado de investigações sobre fake news, que estavam sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes. A causa da investigação foram postagens em que o partido sugeria o fechamento da Corte, o que motivou Moraes a bloquear o acesso da legenda a suas redes sociais.

Após assumir o comando dos autos, Fachin decretou o fim da apuração por entender que já havia expirado o tempo legal para penalizar o ato apontado como crime de incitação. Pimenta declarou que o resultado era esperado e afirmou que a legenda estuda levar o Estado à Justiça para requerer compensação financeira pelos prejuízos decorrentes do bloqueio de suas contas.

Segundo o dirigente, o arquivamento não modifica a visão da sigla, que se opõe à “existência de uma corte como o STF”. O PCO defende a substituição do Supremo por um corpo de magistrados escolhidos via voto popular, com tempo de exercício delimitado, que não tivesse autorização para “legislar no lugar do Congresso” ou atuar como “dono da Constituição”.

Outro inquérito tem como foco o próprio Pimenta. A Polícia Federal investiga movimentações financeiras suspeitas de irregularidades eleitorais e partidárias, analisando sinais de que verbas públicas teriam sido destinadas a companhias e pessoas físicas sem “capacidade operacional compatível com os valores recebidos ou com vínculos diretos ou indiretos com integrantes da estrutura partidária”.

Ele rejeita as acusações. Argumenta que os valores estavam dentro dos padrões praticados pelo mercado e que os trabalhos foram devidamente entregues, ressaltando que o ordenamento jurídico não proíbe parcerias com empresas conectadas a membros do grupo. Além disso, rechaça a ideia de que tenha ocorrido qualquer aporte de verba do fundo eleitoral para seu patrimônio pessoal. “Existe uma tendência à perseguição política que permeia todo o regime político —e vem do Judiciário”, afirmou.

Candidato à Presidência pela quarta vez neste ano, Pimenta obteve o menor índice de votos entre todos os participantes, um desfecho que ele qualifica como inusitado. Ao confrontar seu desempenho com nomes menos conhecidos, como o do veterinário Wilson Grassi (Democrata), ele questiona a lisura do pleito — embora admita que não possui evidências de fraude.

“Eu tenho um público, eu faço programas na internet, alguns programas tem 40, 50 mil pessoas. Então, eu pergunto, como é possível que, em 12 anos, tendo crescido a minha popularidade, a votação não se alterou?”

Neste ano, o fundador do PCO obteve cerca de 15 mil votos, número próximo ao de 2014, quando recebeu um total que superou levemente a marca dos 12 mil. “Você está dizendo que a eleição foi fraudada? Eu não tenho como falar isso, que eu não tenho provas. Não posso levantar uma coisa dessa sem provas. Mas eu gostaria de destacar que é muito esquisito isso, mas muito esquisito mesmo.”

Apesar das dúvidas que levanta, Pimenta rejeita a carta golpista atribuída a Flávio Bolsonaro, que classifica como bobagem. “Podemos até lançar alguma dúvida, mas uma coisa é você ter dúvida, outra coisa é você falar que foi ilegítimo”, disse.

LEIA MAIS: