Terça-feira, 3 de novembro de 2026 · Salvador, BA

Gilmar Mendes critica condução do TSE e diz que silêncios não são neutros

Gilmar Mendes criticou a condução do TSE nas eleições de 2026, afirmando que silêncios e hesitações não são neutros. O ministro defendeu a importância da colegialidade, mas alertou que a estabilidade democrática não pode depender apenas da força do grupo.

Gilmar Mendes

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), usou as redes sociais para afirmar que a condução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante as eleições de 2026 deixou a desejar. Sem mencionar nominalmente o presidente da Corte Eleitoral, Kassio Nunes Marques, Gilmar declarou que “de quem está na condução do órgão que organiza o pleito espera-se a postura de árbitro equidistante que a Constituição pressupõe”.

Na avaliação do ministro, o colegiado do TSE foi o responsável por garantir que a disputa ocorresse dentro das normas democráticas. Ele ressaltou que “as eleições de 2026 evidenciaram a correção da antiga lição de que as instituições de Estado são maiores do que os membros que as ocupam”, e completou: “Foi o colegiado do Tribunal Superior Eleitoral que assegurou que a disputa transcorresse dentro das regras do jogo democrático”.

Gilmar fez elogios ao time de ministros, mas ressalvou que não se pode depender de uma recomposição institucional sempre que houver nova eleição. Em suas palavras: “Silêncios e hesitações não são neutros. Podem abrir espaço para decisões contraditórias, levar outras instâncias a suprir, pelas vias próprias, o que poderia ter sido resolvido desde a origem e servir de pretexto a quem insiste em atacar um sistema eleitoral íntegro e confiável”, registrou.

O ministro encerrou a manifestação destacando que, nesta eleição, a colegialidade funcionou. “Desta vez, a colegialidade cumpriu seu papel”, afirmou, antes de acrescentar que “a solidez do processo eleitoral, contudo, não pode depender apenas da força do colegiado”.

A campanha de 2026 foi marcada por trocas de acusações entre as equipes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL). Aliados do petista reclamaram da atuação de Kassio Nunes Marques e de André Mendonça, vice-presidente do TSE, enquanto apoiadores do senador criticaram o que consideraram interferência do STF em decisões eleitorais.

Um episódio chamou a atenção ao longo da votação: Cristiano Zanin, ministro do STF, determinou a prorrogação do prazo de votação por duas horas, depois de as solicitações das duas campanhas terem ficado sem análise por Nunes Marques dentro do prazo. O despacho, porém, só aumentou a confusão, pois as urnas em sua maioria já haviam sido lacradas quando a decisão saiu, depois das 17h.

Flávio Bolsonaro usou o episódio numa carta de conteúdo golpista, redigida após sua saída do território nacional para questionar o desfecho do pleito. Ainda assim, a extensão do horário não mudou o resultado da eleição: só 34,7 mil votos entraram depois do encerramento previsto, cifra menor que a de 2022.

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