Discord ativa verificação de idade com alternativas não biométricas e promete poupar dados

verificação de idade no Discord

Depois de adiar a estreia do seu sistema de checagem de idade em fevereiro, quando a repercussão negativa foi intensa, o Discord colocou o recurso no ar para todos os usuários ao longo desta semana. A nova versão aposta em alternativas que dispensam biometria para a maior parte do público, segundo o cofundador e diretor de tecnologia Stanislav Vishnevskiy.

O executivo afirmou que mais de 90% das pessoas não terão de confirmar a idade. A estimativa é feita a partir de sinais indiretos, como o tempo de existência da conta e os tipos de servidores dos quais o usuário participa. “Não olhamos suas mensagens, chamadas ou outros conteúdos”, garantiu Vishnevskiy.

Quem for enquadrado automaticamente na faixa adulta, acima de 18 anos, não percebe mudança alguma. Já os classificados como adolescentes, entre 13 e 17 anos, passam a contar com “proteções de segurança adicionais que bloqueiam conteúdo, espaços e configurações com restrição de idade”. Adultos que a plataforma não reconhecer como maiores de idade terão à disposição meios não biométricos de comprovar a idade.

Entre as opções aceitas estão informar dados de cartão de crédito ou autorizar que a App Store, da Apple, e a Google Play Store compartilhem uma classificação etária com o Discord. A lista completa aparece na declaração de Vishnevskiy. “Analisamos cada método, e os dados que você fornece a nós e aos nossos fornecedores são usados apenas para determinar sua faixa etária, então você pode escolher a opção com a qual se sentir mais confortável”, acrescentou.

No início do ano, o plano era outro: todos os usuários receberiam automaticamente uma “experiência apropriada para adolescentes”, com borrão em conteúdo considerado sensível e restrição de acesso a canais com limite de idade. Para liberar o acesso, seria preciso enviar foto de documento oficial a um fornecedor terceirizado ou gravar um vídeo do próprio rosto. A ideia de entregar esse tipo de dado não foi bem recebida.

Vishnevskiy reconheceu que o tema provoca desconfiança. “A verificação de idade gera opiniões fortes e ceticismo, especialmente quando envolve o compartilhamento de informações biométricas ou de uma forma de identidade”, escreveu. Ele lembrou que as leis de verificação etária estão se multiplicando e que, desde sua última publicação, a empresa precisou lançar o recurso em outras regiões, como o Brasil e o Texas.

O executivo também mencionou pressão de legisladores. Segundo ele, há formuladores de políticas em inúmeros estados e países defendendo proteções mais rígidas para adolescentes, da União Europeia à Indonésia. “Para mim, isso torna ainda mais importante mostrar que isso pode ser feito de forma que preserve a privacidade: uma em que mais de 90% de vocês não precise confirmar a idade”, declarou.

Segundo Vishnevskiy, a escolha de lançar as proteções reforçadas para adolescentes em todo o mundo, inclusive onde não há exigência legal, busca antecipar regras que poderiam impor métodos menos focados em privacidade. “Qualquer forma de verificação de idade, e a possibilidade de compartilhar algo biométrico ou uma identidade, é um tópico controverso. Com razão, pelo que representa e para onde a legislação da internet ao redor do mundo está indo: em direção a uma internet mais fechada. Isso é maior do que nós”, continuou. “Optamos por lançar nossas proteções mais fortes para adolescentes em todos os lugares usando a abordagem de preservação de privacidade mais robusta que conseguimos construir, inclusive onde ainda não é exigido por lei, porque acreditamos que seja a coisa certa a fazer. Ao adotar uma abordagem global com opções não biométricas, estamos nos antecipando a leis que podem nos pedir para implementar algo menos focado em privacidade. As decisões que os formuladores de políticas tomarem agora moldarão como as plataformas avançarão tanto na segurança de adolescentes quanto na privacidade nos próximos anos, e eu incentivo as pessoas a fazerem suas perspectivas serem ouvidas onde vivem.”

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