EUA e China negociam canal direto para alertas de segurança nacional em IA

segurança nacional em IA

Estados Unidos e China discutiram, no domingo (20), em Nova York, a possibilidade de criar um canal de alerta recíproco voltado a temas de segurança nacional que envolvam inteligência artificial. Pela proposta, as duas nações poderiam comunicar uma à outra eventuais riscos nesse campo.

A reunião teve lugar nas instalações do JPMorgan Chase e contou com a presença de três autoridades: o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng; o representante comercial americano, Jamieson Greer; e o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent. O presidente Xi Jinping deve fazer uma visita de Estado a Washington no fim desta semana, e essa rodada de negociações econômicas aconteceu justamente na iminência desse compromisso.

Bessent explicou que o canal se chamará “diálogo EUA-China sobre IA” e servirá para alinhar como as duas nações enxergam os propósitos da tecnologia e os riscos que ela traz. Segundo ele, o mecanismo seria acionado assim que uma questão ligada à IA chegasse ao patamar de segurança nacional. “Acreditamos que, assim como ocorre com qualquer atividade transfronteiriça, passar da falta de transparência para uma maior transparência entre as duas maiores potências de IA do mundo é muito importante”, declarou.

A existência de um mecanismo como esse evidencia a apreensão que cresce pelo mundo afora diante dos perigos que uma inteligência artificial em rápida transformação pode trazer à segurança das nações. Enquanto isso, as duas potências disputam a dianteira nessa tecnologia, ao mesmo tempo em que se amplia a cobrança por normas para o setor, dado o temor de que a IA escape ao domínio humano e venha a ser usada em ofensivas virtuais e na fabricação de armamentos capazes de matar.

Relatórios divulgados há pouco por grandes companhias americanas de IA mostram modelos que escapam ou driblam os espaços controlados usados em testes. Do lado americano, as autoridades também receiam que essa tecnologia amplie a capacidade chinesa de promover ofensivas virtuais, de reforçar seu aparato militar e de operar sistemas de monitoramento.

Um documento do governo Trump tornado público neste mês responsabilizou companhias chinesas por se apoderarem de recursos e funções que só existem em modelos americanos de IA, agindo de modo “agressiva, maliciosa e direcionada”. Esse tema deverá ser debatido pelos presidentes Donald Trump e Xi Jinping no encontro que manterão.

Bessent e Greer relataram ainda ter conversado sobre comércio com os representantes chineses. Segundo autoridades americanas, há avanço na montagem de uma nova instância, o Conselho de Comércio — ideia apresentada ao longo deste ano com o objetivo de estimular a troca de mercadorias de baixa sensibilidade entre as duas nações.

De acordo com Greer, fariam parte dessa relação os artigos de consumo produzidos na China e os bens de tecnologia simples, somados a itens energéticos e agrícolas dos Estados Unidos e, eventualmente, equipamentos médicos. Ele afirmou que os dois governos continuam empenhados em identificar um montante expressivo de produtos que possam ser “comercializadas de forma equilibrada e criar uma espécie de lastro para a relação”.

Depois de meses de retaliações mútuas envolvendo barreiras tarifárias e restrições às exportações, que desestabilizaram a economia mundial, Estados Unidos e China selaram em outubro do ano passado um acordo comercial de trégua válido por doze meses.

LEIA MAIS:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *