O embate político entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o bolsonarismo ganhou um novo capítulo neste sábado (12.set.2026). Durante comício em Curitiba, o petista direcionou ataques ao fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, classificando-o como um “agiota” que, segundo o presidente, teria “corrompido muita gente da República”. Lula responsabilizou diretamente a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro pela ascensão da instituição financeira e por episódios envolvendo descontos ilegais em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.
A ofensiva política de Lula ocorre em um cenário de crescente pressão jurídica sobre o setor financeiro, que também tem sido alvo de investigações da Polícia Federal. O presidente afirmou que “a quadrilha foi montada no governo Bolsonaro” e citou a proximidade física entre o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes e o gabinete de Flávio Bolsonaro como um dos pontos de atenção. Para o petista, a trajetória do Banco Master simboliza uma distorção administrativa: “Em 2019, eles pegaram uma agiota e transformaram num banqueiro. Eles tiraram o banqueiro e nós prendemos esse banqueiro. Eles abriram o banco e nós fechamos esse banco”.
Paralelamente ao discurso político, o Supremo Tribunal Federal (STF) movimenta os bastidores das investigações. O ministro André Mendonça retirou, na sexta-feira (11.set), o sigilo de uma série de processos vinculados à operação Compliance Zero. Entre os documentos liberados, constam apurações sobre o financiamento da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, a obra “Dark Horse”. A PF aponta que Flávio Bolsonaro teria atuado como elo para a captação de recursos junto a Vorcaro, com a posterior gestão dos valores atribuída ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
A abertura dos autos foi impulsionada por uma articulação interna na Corte. A Procuradoria-Geral da República solicitou a publicidade integral dos processos, argumentando que a liberação parcial realizada anteriormente por Mendonça omitia procedimentos centrais da operação. Diante do impasse, o presidente do STF, Edson Fachin, estabeleceu um prazo de 24 horas para que o relator enviasse a íntegra dos autos da operação e da petição 15.556 aos gabinetes dos ministros, intensificando o escrutínio sobre as relações entre o setor financeiro e o núcleo político do governo anterior.
