O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) rebateu, nesta quarta-feira (16), as declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL) que tentam vinculá-lo ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Lula afirmou que não foi responsável pela nomeação do magistrado e defendeu que eventuais julgamentos ocorram com direito à defesa.
“Eu não era presidente quando o Alexandre de Moraes foi indicado para a Suprema Corte”, declarou Lula. A indicação de Moraes ocorreu em 2017, durante o governo de Michel Temer (MDB), após o impeachment de Dilma Rousseff (PT). Na ocasião, o PT manifestou-se contrário à escolha.
Flávio Bolsonaro, postulante à Presidência, sustenta que Lula e Moraes atuariam em conluio, de modo que escolher o petista nas urnas representaria aval ao ministro. Em material de campanha tornado público na terça-feira (15), divulgado pouco antes de o STF abrir a sessão destinada a examinar se Moraes poderia virar alvo de apuração no Caso Master, o senador creditou ao governo Lula a culpa pela crise.
Em entrevista ao canal Desce a Letra Show, Lula afirmou que Flávio Bolsonaro age com “bronca”, “obsessão” e desejo de atacar o ministro porque ele foi o relator das apurações sobre os atos de 8 de Janeiro e sobre o plano golpista — investigações que terminaram com a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão. “A raiva dele [Flávio] é porque o Alexandre de Moraes mandou prender o cara que mandou matar a Marielle. A bronca dele é que o Alexandre de Moraes prendeu o pai dele e os golpistas que tentaram fazer o 8 de janeiro. Então esse é o pavor dele”, afirmou.
Ainda assim, Lula saiu em defesa da atuação de Moraes nos inquéritos e afirmou que o ministro “prestou grandes serviços” à democracia. “Eu acho que o Alexandre de Moraes prestou dois grandes serviços à democracia brasileira. Foi presidente do [Tribunal Superior Eleitoral] TSE na eleição em que eu ganhei. E ele sabe, o Brasil sabe, a tentativa que o Bolsonaro fez para destruir a credibilidade nas urnas brasileiras”, declarou.
Na sessão da terça-feira, os ministros trocaram acusações entre si — uma delas, a de que o relator André Mendonça conduziria o Caso Master de modo a favorecer quem faz oposição, com viés eleitoral. Flávio Dino pediu vista e a análise ficou suspensa por 90 dias, período em que ainda poderá ser examinado um segundo relatório, este contra Mendonça.
Lula defendeu que todos os que cometem erros devem ser julgados. “Todo mundo que cometeu erro, em qualquer área, tem que ser julgado. O que eu defendo é um julgamento justo com direito de defesa, mas se a pessoa cometeu um delito, a pessoa tem que pagar o preço. Isso vale para mim, vale para o Alexandre de Moraes, vale para o [Edson] Fachin [presidente do STF]”, disse.

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