Nesta segunda-feira, 26, o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) anulou o mandado que pedia a detenção em flagrante do secretário municipal de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza. O pedido havia sido expedido no domingo, 25, após ônibus ficarem parados na capital baiana no dia em que os eleitores foram às urnas para o segundo turno.
A Justiça Eleitoral justificou a revogação com três argumentos: a votação já havia terminado, não havia mais razão para prender de imediato e o Ministério Público Eleitoral (MPE) não apresentou pedido de cautelar. O tribunal ressaltou expressamente que cancelar o mandado não equivale a inocentar o gestor, tampouco afasta a hipótese de crime.
Com a suspensão da prisão, a Polícia Federal e a Procuradoria Regional Eleitoral ficaram encarregadas de verificar se a redução da frota de coletivos em circulação no domingo passou de 50%. A Prefeitura de Salvador, a Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) e as empresas de transporte têm 48 horas para guardar e entregar à Justiça os documentos sobre a operação das linhas naquele dia.
A apuração busca identificar quem provocou a paralisação do serviço e verificar se houve intenção deliberada de dificultar a chegada dos eleitores aos locais de votação. A decisão cita indícios de condutas tipificadas na lei eleitoral, entre elas embaraçar ou impedir que o eleitor vote livremente e desobedecer a ordem judicial.
Desde as primeiras horas do domingo, usuários do transporte coletivo relataram que faltavam ônibus em diversos bairros, o que motivou denúncias formais e providências na Justiça. Segundo a prefeitura, o problema foi causado por um ato de pessoas vinculadas ao Sindicato dos Rodoviários. Fotos e vídeos exibiram adesivos de propaganda do candidato Lula colados nos veículos, prática vedada pela lei.
Um levantamento realizado pela manhã apontou que pelo menos 75 ônibus não conseguiram deixar as garagens, e esse total não teve atualização posterior. O prefeito Bruno Reis declarou que, ao notar que a remoção dos adesivos fora do padrão atrasava a saída dos veículos, determinou a liberação imediata da frota. Ainda assim, durante a tarde os moradores seguiram relatando menos ônibus em circulação.
Com a dificuldade nos pontos de parada, soteropolitanos montaram redes voluntárias de transporte. Vídeos que circularam nas redes sociais mostraram motoristas organizando filas para levar eleitores de graça até as seções. Em grupos de aplicativos de mensagens, condutores combinaram deslocamentos sem cobrança para quem precisava votar.


