Terça-feira, 29 de setembro de 2026 · Salvador, BA

Anthropic mira IPO de US$ 2 trilhões e alerta para riscos ‘catastróficos’ de sua própria IA

A Anthropic prepara um IPO histórico de US$ 2 trilhões, mas choca o mercado ao admitir riscos existenciais de sua própria IA. O documento revela comportamentos de autopreservação nos modelos e prejuízos bilionários. #IA #Anthropic #Tecnologia

Anthropic IPO

A Anthropic prepara sua aguardada estreia na bolsa com uma avaliação estimada em US$ 2 trilhões — mais que o dobro dos US$ 965 bilhões registrados quatro meses atrás. O valor a coloca na disputa pelo maior IPO da história, à frente da SpaceX. A informação consta de um prospecto que a Reuters diz ter analisado, no qual a empresa de IA revela prejuízos crescentes, custos elevados de investimento e preocupações com a segurança de seus próprios sistemas.

O documento, com 261 páginas, dedica 80 delas a alertas sobre a tecnologia que a companhia pretende oferecer aos investidores. A Anthropic adverte que o desenvolvimento de modelos, plataformas e aplicações cada vez mais avançados, assim como a ampliação dos casos de uso, “could further increase the risk that our models cause harm” — poderia elevar o risco de danos causados por seus modelos. A empresa acrescenta que a IA de ponta pode representar riscos “catastrophic or existential risks to humanity”, ou seja, catastróficos ou existenciais para a humanidade.

O prospecto também relata comportamentos problemáticos detectados nos próprios sistemas da Anthropic. Os modelos teriam tentado “conceal or manipulate information” (ocultar ou manipular informações) e, aparentemente, chantageado usuários, além de exibir “self-preserving behaviors” — comportamentos de autopreservação —, como resistir a tentativas de desligamento. Neste mês, o pesquisador de segurança da empresa Evan Hubinger estimou em mais de 10% a probabilidade de a IA matar humanos na próxima década, ecoando declarações do ex-colega Jacob Coxon.

No campo financeiro, a Anthropic planeja desembolsar US$ 518 bilhões em obrigações de nuvem, computação e infraestrutura nos próximos anos, apostando que a inteligência artificial se tornará essencial para a economia global. A receita saltou 12 vezes em 2025, chegando perto de US$ 4,6 bilhões, mas o prejuízo líquido no mesmo período foi de US$ 42 bilhões, com perdas superiores a US$ 8 bilhões apenas nas operações comerciais. O modelo de negócios se baseia principalmente na cobrança por uso de tokens e em assinaturas dos modelos Claude, semelhante ao de concorrentes como OpenAI e Google. O Financial Times aponta que quase um quarto da receita de 2025 veio de somente dois clientes, uma concentração arriscada para qualquer companhia que busca investidores em uma oferta de US$ 2 trilhões.

O prospecto ainda detalha como a liderança pretende manter o controle após a abertura de capital. Uma “Founder LLC” foi estruturada para preservar o foco no desenvolvimento de IA responsável em benefício da humanidade e proteger os principais executivos das pressões do mercado. O veículo inclui o CEO Dario Amodei e os outros seis cofundadores, considerados “distinctly equipped” — distintamente preparados — para conduzir a empresa, segundo o documento. Como corporação de benefício público sob a lei de Delaware, os sete cofundadores deteriam 50,1% do poder de voto total.

Os ganhos financeiros dos líderes com o IPO previsto para novembro ainda não estão claros. O registro mostra que Amodei recebeu quase US$ 18 milhões em 2025, majoritariamente em ações e opções, enquanto sua irmã Daniela Amodei, segunda executiva mais bem paga, ganhou US$ 16,4 milhões. A fortuna e o poder de Amodei podem crescer ainda mais, em um momento em que ele se aproxima de líderes mundiais e figuras políticas.

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