Vaticano reforça alertas sobre riscos existenciais da inteligência artificial

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A possibilidade de um colapso civilizatório provocado pela inteligência artificial tem sido um tema central de preocupação na agenda do Vaticano. Muito antes de gigantes do setor tecnológico nos Estados Unidos levarem o debate ao Conselho de Segurança da ONU, a Santa Sé já articulava advertências sobre o potencial destrutivo de sistemas autônomos. Leão 14, que lidera a Igreja Católica há 16 meses, tem posicionado este assunto como um pilar de seu pontificado, defendendo uma supervisão global rigorosa para garantir que a tecnologia permaneça a serviço da humanidade.

Em conversas recentes, incluindo um encontro ocorrido nesta quinta-feira (24) na Santa Sé, o Papa enfatizou que o avanço tecnológico traz ameaças inéditas à estabilidade e à harmonia global. O padre Paolo Benanti, consultor especializado do Vaticano, ressaltou que o potencial disruptivo dessas inovações pode provocar alterações sociais sem precedentes. Conforme Benanti, a atenção do Vaticano em relação às leis que regem tecnologias emergentes possui uma importância comparável, em termos de risco e premência, aos históricos chamados papais pelo fim do arsenal atômico.

O cardeal Pietro Parolin, principal diplomata da Santa Sé, salientou que a sobrevivência humana depende da definição de diretrizes universais. Essa discussão assume um caráter prático mediante a formação de um grupo de trabalho pela Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, que pretende conversar com líderes do setor tecnológico para evitar que o progresso técnico fuja ao controle. Existe um temor específico em relação a aparatos bélicos, como os empregados em guerras atuais, os quais o pontífice descreveu como tecnologias que avançaram “praticamente para além de qualquer capacidade humana de governá-las”.

A posição da Igreja não é recente, tendo se manifestado publicamente desde 2019 em conferências dedicadas aos riscos da automação. Em 2020, o Vaticano colaborou com instituições como a Microsoft e a IBM para exigir que o desenvolvimento da IA não priorize apenas o lucro ou a substituição de trabalhadores. Para especialistas, a falta de visibilidade física da IA, ao contrário de ogivas nucleares que podem ser contadas em silos, torna o desafio de monitoramento e controle um dos maiores dilemas éticos do século XXI.

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