Os líderes dos países que compõem o Brics formalizaram, neste sábado (12), a Declaração de Nova Déli, um documento que manifesta oposição a tarifas e barreiras comerciais unilaterais. O texto aponta que o sistema multilateral de comércio enfrenta uma “encruzilhada crítica”, destacando que a elevação de restrições comerciais amplia as incertezas globais e impacta de maneira desigual as nações em desenvolvimento.
O grupo reforçou a necessidade de reformar a governança de instituições como o FMI, o Banco Mundial e a OMC, visando garantir maior representatividade aos países emergentes. Durante a cúpula, que celebrou as duas décadas de existência do bloco, houve um consenso sobre a importância de fortalecer o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), incentivando a diversificação das fontes de financiamento e a ampliação da oferta de crédito em moedas locais para projetos de infraestrutura.
Apesar das discussões sobre o fortalecimento financeiro, o bloco optou por não oficializar uma moeda comum, focando em estratégias graduais para reduzir a dependência de sistemas financeiros dominados por economias desenvolvidas. Os países membros avançam na interoperabilidade de canais de pagamentos, buscando tornar as transações transfronteiriças mais eficientes e seguras, respeitando as particularidades e prioridades de cada integrante.
A pauta econômica também incluiu o papel da inteligência artificial, reconhecida pelos líderes como um fator com “imenso potencial para estimular o crescimento econômico e o desenvolvimento sustentável”. A declaração defende a cooperação internacional para assegurar que o acesso a essas tecnologias seja feito com foco em segurança, confiabilidade e eficiência energética, alinhando o bloco aos debates globais sobre inovação tecnológica.
