Quinta-feira, 29 de outubro de 2026 · Salvador, BA

Delcy Rodríguez promete eleições na Venezuela com supervisão internacional, mas não define data

Delcy Rodríguez anunciou novas eleições na Venezuela com supervisão internacional, mas ainda sem data definida. O compromisso faz parte de um roteiro de transição apoiado pelos EUA para estabilizar o país e retomar a democracia.

eleições na Venezuela

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou nesta quinta-feira (29/10) que o país realizará novos pleitos, sob a supervisão de um órgão eleitoral reformulado e com a presença de observadores vindos do exterior. Ela não definiu, porém, data para a votação.

Em pronunciamento, Rodríguez adotou um tom de unificação e afirmou: “Haverá eleições, todas as previstas em nossas Constituição, organizadas por uma autoridade eleitoral renovada e com o mundo como testemunha”. A fala sinaliza uma abertura ao diálogo com a oposição, dias após o retorno ao país de María Corina Machado, líder opositora nas eleições de 2024.

Ao lado do compromisso de convocar eleições, a titular do Executivo interino assegurou que nenhuma prisão ocorrerá sem decisão da Justiça. Pediu ainda que a Assembleia Nacional dê andamento à atualização da Lei Constitucional contra o Ódio, pela Convivência Pacífica e pela Tolerância, texto que o ex-presidente Nicolás Maduro havia enviado ao Legislativo em 2017. A norma estabelecia sanções de 10 a 20 anos de reclusão para delitos ligados à incitação ao ódio, mas opositores a viam como ferramenta de repressão política.

O cenário em que o anúncio surge é o de tratativas entre o chavismo e integrantes da Assembleia Nacional eleita em 2015, os quais haviam retornado ao país em agosto depois de longo exílio. Outro elemento desse quadro é o regresso de Machado, em 25 de outubro. Sobre a situação, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que o governo interino venezuelano vem “cumprindo todos os prazos” de um roteiro dos EUA dividido em três etapas para o destino da nação.

Rubio descreveu o roteiro: a primeira etapa consiste em estabilizar o país, remetendo aos EUA enormes volumes de petróleo — bilhões de barris —, que depois seriam revendidos no mercado externo, com a receita ficando com os americanos. A recuperação econômica e social compõe a fase seguinte, abrindo setores, em especial o petrolífero, para empresas estrangeiras. O desfecho viria com uma transição política, após transformações que criassem condições institucionais.

O secretário de Estado do governo Donald Trump, porém, demonstrou desagrado com as manifestações chamadas por Machado depois que ela retornou. Rubio disse que a volta da opositora decorreu de “negociações de reconciliação apoiadas” por Washington e que aguarda que “as liberdades de todos os setores da política venezuelana continuem a ser respeitadas”. Em seguida, advertiu: “Da mesma forma, esperamos que todos os atores políticos apoiem essas negociações, que representem a melhor chance que a Venezuela teve em trinta anos de alcançar pacificamente não apenas uma eleição livre e justa, mas uma democracia duradoura”.

Imagem meramente ilustrativa. Crédito da ilustrativa: internet

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