Quarta-feira, 4 de novembro de 2026 · Salvador, BA

SpaceX e Tesla caem mais de 5% após derrota de aliados de Musk nas eleições dos EUA

Tesla e SpaceX caíram mais de 5% após a derrota de aliados de Elon Musk nas eleições dos EUA. O bilionário, que investiu pesado na campanha republicana, agora enfrenta um cenário de maior pressão regulatória e desafios no Texas.

SpaceX e Tesla

Nesta quarta-feira (4), os papéis das companhias de Elon Musk registraram baixa superior a 5%: a fabricante de veículos elétricos Tesla perdeu até 6,13% e a empresa de foguetes SpaceX recuou até 5,78%. O motivo foi a vitória democrata nas projeções da imprensa local, que tirou do Partido Republicano o domínio da Câmara e do Senado, além da derrota, no Texas, do postulante que o bilionário apoiava. Perto das 13h de Brasília, a Tesla estava em queda de 3,49% e a SpaceX, de 3,73%.

Para sustentar candidatos republicanos e preservar a hegemonia do partido no Texas, o bilionário gastou cerca de US$ 500 milhões (R$ 2,74 bilhões). É nesse estado que ficam a Tesla, sua montadora, a SpaceX e um projeto de fabricação de chips que as duas empresas planejam tocar juntas. Com isso, o maior patrimônio do planeta bancou a disputa eleitoral.

Mesmo sem disputar nenhum cargo, Elon Musk terminou entre os principais perdedores do pleito legislativo americano — uma eleição em que os republicanos sofreram uma derrota expressiva e o Texas levou ao governo, pela primeira vez em mais de trinta anos, uma democrata. Na corrida pelo governo texano, Gina Hinojosa venceu Greg Abbott, e o partido de oposição garantiu maioria nas duas câmaras do Legislativo — um recado duro a Donald Trump, presidente dos Estados Unidos e parceiro político do bilionário, que financiou sua campanha. No Senado, as projeções apontam James Talarico na frente de Ken Paxton.

Agora, Musk enfrenta um Partido Democrata revigorado, que passou anos hostilizando. O maior doador do Partido Republicano chegou a ameaçar com retaliação no mês passado em sua plataforma de mídia social, depois que uma reportagem afirmou que os democratas cogitavam investigar suas empresas caso vencessem as eleições de meio de mandato.

Um dos maiores desafios de Musk pode ser a lentidão nas aprovações dos data centers essenciais para explorar o mercado endereçável de US$ 28,5 trilhões (R$ 156,12 bilhões) que a SpaceX destacou aos investidores antes de sua IPO (oferta pública inicial de ações). Analistas e especialistas esperam que os democratas intensifiquem a fiscalização de projetos de data centers e defendam moratórias à construção dessas instalações, à medida que cresce a oposição local devido aos custos da eletricidade.

“Uma vitória democrata completa no Congresso pressionaria o setor de tecnologia e poderia impor pressão regulatória sobre tudo o que envolve IA, possivelmente desacelerando os números de crescimento típicos de uma terra sem lei que vemos diariamente e muitas vezes consideramos garantidos”, afirmou Jake Dollarhide, CEO da Longbow Asset Management. “Musk foi a última cartada dos republicanos na reta final. Infelizmente, sua grande injeção de dinheiro para apoiar os estados republicanos não foi suficiente para superar as contas mais altas de serviços públicos e a alta dos preços nos supermercados e nos postos de gasolina”, avaliou.

Musk também passou a ser alvo do escrutínio de parlamentares democratas devido às restrições às comunicações por satélite usadas pelas Forças Armadas da Ucrânia, às demissões em massa no governo federal durante sua gestão no Doge (Departamento de Eficiência Governamental) e aos contratos e subsídios governamentais destinados a suas empresas. Um desses parlamentares é Robert Garcia, futuro presidente do Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes, que na noite de terça-feira deixou uma mensagem direta, de duas palavras, para os republicanos e seus aliados: “Procurem advogados”.

No Texas, Musk terá de lidar com uma relação já desgastada com Hinojosa. Também enfrentará o recém-eleito senador dos Estados Unidos James Talarico, contra quem gastou grandes somas ao apoiar Paxton. A governadora eleita Hinojosa havia entrado na Justiça para obter e-mails trocados entre Musk e Abbott e acusou o ex-governador de vender o estado do Texas ao oferecer acordos vantajosos ao bilionário. Ela também classificou as tentativas de Abbott de impor limites aos data centers como encenação política, defendendo, em vez disso, a suspensão imediata de novos projetos até que os parlamentares reforçassem as proteções às comunidades locais, além do fim dos incentivos fiscais.

O próprio Musk pareceu minimizar os obstáculos. “Data centers no espaço parecem bem atraentes neste momento”, publicou o bilionário no X, em alusão ao ambicioso plano da SpaceX de colocar data centers em órbita, apesar dos grandes desafios relacionados à refrigeração e aos reparos. O negócio de IA da empresa está concentrado no Colossus e no Colossus 2, dois dos maiores data centers de IA do mundo, localizados perto de Memphis. O aluguel de sua capacidade computacional para clientes como a Anthropic fez a receita disparar e ajudou a SpaceX a registrar seu primeiro lucro como companhia de capital aberto.

Mas a empresa pretende quase dobrar a capacidade, de 1,7 gigawatt no fim de setembro para até 3 gigawatts até o fim do ano, antes de ampliá-la para 13 gigawatts no próximo ano. Qualquer atraso na entrada dessa capacidade em operação pode prejudicar as ambiciosas metas de receita de Musk e intensificar o escrutínio de investidores cada vez mais receosos com os custos crescentes da infraestrutura de IA. “Quero deixar claro: o Texas não está à venda”, afirmou Hinojosa no mês passado. Musk, por sua vez, apagou o apelo que fez a seus seguidores no dia da eleição para que votassem nos republicanos.

Se as empresas de Musk enfrentam dia de queda, as big techs estão com as ações em alta. A Amazon chegou a saltar 7,1%, a Alphabet ganhou 3,4% e a Meta avançou 1,6%.

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