Pesquisadores localizaram, num lago do Parque Nacional Vulcânico Lassen, na Califórnia, uma ameba de espécie até então desconhecida, capaz de se multiplicar a 63 ºC e de superar a marca anterior de replicação de células complexas, que ficava um pouco acima dos 60 ºC. O estudo que descreve o achado saiu na revista Cell nesta terça-feira (22/9) e contou com amostras obtidas com o apoio da Nasa.
A espécie recebeu o nome de Incendiamoeba cascadensis, a ameba-de-fogo das Cascatas. Não só se desenvolveu na temperatura recorde, como também aguentou períodos curtos a 70 ºC: entrou em dormência e voltou ao estado ativo depois de até cinco minutos exposta ao calor. A 80 ºC, no entanto, sucumbiu.
“Fiquei muito surpresa. Tivemos que voltar e verificar se nossas incubadoras estavam calibradas corretamente. Foi realmente incrível”, afirmou ao portal Live Science Beryl Rappaport, que assina o estudo como primeira autora.
Segundo os cientistas, a ameba-de-fogo se dá melhor na faixa de 55 ºC a 57 ºC e interrompe seu desenvolvimento quando a temperatura fica abaixo dos 42 ºC — sinal de que ambientes quentes são seu habitat preferido. A tolerância ao calor deve vir de adaptações genéticas ao estresse térmico, algo comum entre eucariotos.
Já havia pistas, em trabalhos anteriores, de que amebas conseguiriam viver em fontes geotérmicas quentes, mas nenhuma comprovação havia sido feita em laboratório. Para consegui-la, os pesquisadores viajaram até o parque na Califórnia, onde recolheram amostras e as submeteram a uma análise minuciosa.
Agora, a equipe pretende encontrar espécies aparentadas à nova ameba e estudá-las, na tentativa de esclarecer de que maneira ela evoluiu até aguentar tamanho calor.
